Governo Central registra déficit primário de R$ 61,7 bilhões em 2025, abaixo do esperado pelo mercado
Resultado negativo, de 0,48% do PIB, foi puxado pelo déficit da Previdência; despesas obrigatórias como aposentadorias e BPC tiveram alta, mas receita também cresceu com recorde na arrecadação
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O Governo Central (Tesouro, Previdência e Banco Central) fechou o ano de 2025 com um déficit primário de R$ 61,69 bilhões, equivalente a 0,48% do Produto Interno Bruto (PIB). O resultado, divulgado pelo Tesouro Nacional nesta quinta-feira (29), representa um aumento real de 32,3% em relação ao déficit de 2024 (R$ 42,92 bi), mas ficou melhor do que a previsão do mercado, que esperava um rombo de R$ 68,21 bilhões.
O resultado negativo foi impulsionado principalmente pelo déficit de R$ 317,2 bilhões na Previdência Social (RGPS), que superou o superávit de R$ 255,5 bilhões do Tesouro e do Banco Central. O crescimento das despesas obrigatórias, como benefícios previdenciários e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), foi o maior fator de pressão.
Desempenho da Receita e Despesa:
- Receita: Teve crescimento real de 2,8% (R$ 64,3 bilhões), impulsionada por recordes na arrecadação de Imposto de Renda (IRPF) e IOF, além de maior arrecadação com exploração do pré-sal.
- Despesa: Teve alta real de 3,4% (R$ 79,1 bilhões), puxada pelos gastos com Previdência, BPC, salários do funcionalismo e complementação ao Fundeb.
A meta oficial para 2025 era um déficit zero, com tolerância de até R$ 31 bilhões. O resultado de R$ 61,7 bi ultrapassa esse limite. No entanto, dentro das regras do novo arcabouço fiscal, que permite exclusões (como precatórios e despesas estratégicas), o déficit considerado para a meta foi de R$ 13 bilhões (0,1% do PIB), dentro do permitido.
O resultado de 2025 foi influenciado pela alta nos gastos sociais obrigatórios, um padrão de longo prazo na economia brasileira. Por outro lado, uma arrecadação tributária recorde e a ausência de despesas extraordinárias em grande escala (como as enchentes no RS em 2024) ajudaram a conter um rombo ainda maior.