31 de julho de 2025
Economia

Dívida pública federal dispara 18% e tem maior crescimento desde 2015

Endividamento supera avanço registrado na pandemia e é puxado principalmente pelos juros altos

Por Redação
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Notas de dinheiro - Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A dívida pública federal registrou um crescimento de 18% no ano passado e alcançou R$ 8,635 trilhões, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional. O aumento é o maior desde 2015 e supera inclusive o avanço observado em 2020, no auge da pandemia da Covid-19, quando a alta foi de 17,9%.

O estoque da dívida estava em R$ 7,316 trilhões em dezembro de 2024 e avançou mais de R$ 1,3 trilhão ao longo do último ano. A dívida pública federal corresponde aos recursos tomados pelo Tesouro Nacional para cobrir o déficit do governo, ou seja, quando as despesas superam a arrecadação com impostos e contribuições, além do impacto direto dos juros sobre o montante devido.

No relatório, o Tesouro destacou que o crescimento expressivo foi provocado principalmente pela apropriação de juros, reflexo do patamar elevado das taxas na economia. “O aumento de 18% foi impulsionado principalmente pela apropriação de juros”, informou o órgão.

O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou que o avanço da dívida não está relacionado aos gastos primários do governo. “Não é o quadro primário que está impulsionando a dívida”, disse, ao reforçar que o principal fator é o custo financeiro do endividamento.

Atualmente, quase metade da dívida pública está atrelada à taxa Selic, definida pelo Banco Central. Com a Selic em níveis elevados — chegando a 15% no ano passado —, o impacto sobre o estoque da dívida se intensifica. Outros 26% dos títulos estão vinculados ao IPCA, acompanhando a inflação.

Projeção para 2026

O Tesouro também divulgou o Plano Anual de Financiamento, que estabelece os parâmetros para a dívida pública federal em 2026. Segundo o documento, o estoque da dívida pode variar entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões, o que abre espaço para um crescimento de até 19% neste ano.

Os dados reforçam o peso dos juros elevados sobre as contas públicas e o desafio do governo em conter o avanço do endividamento em um cenário de política monetária restritiva.