31 de julho de 2025
CRISE NO IBGE

Saída de coordenadora do PIB provoca debandada de chefias no IBGE

Pelo menos três gerentes entregaram cargos em gesto de solidariedade; crise interna reacende tensão com a gestão Pochmann

Por Redação
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Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - Foto: Geraldo Magela / Agência Senado

Pelo menos três técnicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) entregaram seus cargos de gerência após a exoneração da pesquisadora Rebeca Palis, que ocupava a coordenação de contas nacionais, área responsável pelo cálculo do Produto Interno Bruto (PIB).

O movimento é interpretado por servidores como um gesto de solidariedade à pesquisadora, afastada do cargo no último dia 19 por decisão da direção do instituto. A substituição surpreendeu parte do corpo técnico e reacendeu a crise interna com a gestão do presidente do IBGE, Marcio Pochmann.

A próxima divulgação do PIB, referente ao quarto trimestre e ao resultado acumulado de 2025, está prevista para 3 de março. A instabilidade recente gerou incertezas internas sobre como será conduzida a apresentação dos dados.

O primeiro a deixar a função foi Cristiano Martins, gerente de bens e serviços e substituto direto de Rebeca na coordenação. O pedido ocorreu ainda na semana passada. Também entregaram os cargos Claudia Dionísio, gerente das contas nacionais trimestrais, e Amanda Tavares, gerente substituta da área. As duas últimas saídas se tornaram públicas nesta segunda-feira (26).

A reportagem tentou contato com os técnicos, mas não obteve retorno.

Procurada, a presidência do IBGE reafirmou nota divulgada anteriormente, na qual informa que há um cronograma de transição em andamento na coordenação de contas nacionais, “de forma dialogada”, e garante o cumprimento do plano de trabalho e das divulgações previstas para este ano. O instituto confirmou que Rebeca será substituída pelo servidor Ricardo Montes de Moraes.

A crise no órgão se intensificou no segundo semestre de 2024, quando o sindicato dos servidores (Assibge) e pesquisadores passaram a criticar publicamente medidas da atual gestão. Em uma das cartas divulgadas à época, técnicos afirmaram que o instituto vinha sendo conduzido sob um “viés autoritário, político e midiático”. Rebeca foi uma das signatárias do documento.

Na semana passada, sem citar diretamente a troca no comando das contas nacionais, Pochmann rebateu as críticas e afirmou que sua gestão tem como papel tomar decisões. Já a Assibge classificou a exoneração da coordenadora como “abrupta” e destacou que ela ocorreu em meio a “projetos críticos em andamento”, nos quais a pesquisadora tinha papel operacional direto.

Atualmente, o IBGE trabalha na revisão das contas nacionais, processo que busca incorporar mudanças recentes da economia, como transformações digitais e questões ambientais.