31 de julho de 2025
vínculo emocional

Especialista explica por que a dor da perda de um pet pode ser tão intensa quanto a de um familiar

Psicoterapeuta explica que o vínculo emocional com o animal, visto como membro da família, pode gerar sintomas como depressão e isolamento

Por Redação
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Imagem ilustrativa - Foto: Freepik

Lidar com a perda de um animal de estimação é um processo que, para muitos tutores, se assemelha a uma "batalha diária". A ausência se manifesta em detalhes cotidianos, como a falta do passeio, do ritual de alimentação ou até da bagunça que o pet fazia. Segundo a psicoterapeuta Renata Roma, especialista em vínculos com animais, esse luto pode ser tão — ou até mais — doloroso do que o pela perda de um ser humano, pois o que importa não é a espécie, mas o significado que aquele ser tinha na vida de alguém.

Pesquisas apontam que 97% dos tutores nos Estados Unidos consideram seu pet um membro da família. “A pessoa perde uma parte importante de suporte emocional, de rotina e algo que dava sentido aos seus dias”, explica Renata. Para muitos, o animal ocupa o lugar de filho ou amigo íntimo, funcionando como uma "âncora emocional" não julgadora, com quem compartilham emoções profundas. Esse vínculo intenso, muitas vezes diário, faz com que a dor da perda possa ser avassaladora.

A falta de validação social para esse tipo de luto pode agravar os sintomas, que incluem dificuldade para dormir, tensão constante, raiva, sensação de vazio, falta de foco e isolamento social. Em casos mais severos, pode evoluir para depressão, ansiedade e até ideações suicidas. “Mesmo entre profissionais, ainda existe um desconhecimento sobre esse tipo de luto”, alerta a especialista.

Para lidar com a dor, Renata recomenda, primeiro, validar o sentimento como legítimo e natural. Em seguida, criar espaços para expressar e elaborar as memórias, como fazer um álbum de fotos, escrever cartas ou reunir amigos para contar histórias sobre o pet. No entanto, é crucial equilibrar essa elaboração com a retomada de projetos de vida e práticas de autocuidado voltadas para o futuro. O processo exige tempo, paciência e, em muitos casos, suporte profissional especializado.