31 de julho de 2025
levantamento

Mesmo com redução em 2025, Brasil segue líder em assassinatos de pessoas trans

Dossiê da Antra aponta queda de 34%, mas alerta para aumento de tentativas de homicídio; Nordeste concentra maior número de casos

Por Redação
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Dados são da última edição do dossiê feito pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) - Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O Brasil continua sendo o país que mais mata pessoas transexuais e travestis no mundo, com 80 assassinatos registrados em 2025, segundo o mais recente dossiê da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), divulgado nesta segunda-feira (26). Apesar de representar uma queda de aproximadamente 34% em relação a 2024 (com 122 mortes), a redução não tira o país do topo do ranking de violência transfóbica, posição que ocupa há quase 18 anos.

Para Bruna Benevides, presidente da Antra, os números refletem um sistema que naturaliza a opressão. “Não são mortes isoladas, revelam uma população exposta à violência extrema desde muito cedo, atravessada por exclusão social, racismo, abandono institucional e sofrimento psicológico contínuo”, afirma. A coleta dos dados é feita pelo monitoramento diário de notícias e denúncias, evidenciando, segundo a entidade, a dependência da sociedade civil para que esses crimes não caiam no esquecimento.

A violência se concentrou na Região Nordeste, com 38 assassinatos, seguida pelo Sudeste (17). Ceará e Minas Gerais foram os estados com mais casos (oito cada). A maioria das vítimas são travestis e mulheres trans, jovens (entre 18 e 35 anos), negras e pardas. Um levantamento de 2017 a 2025 aponta São Paulo como o estado mais letal no período, com 155 mortes.

A Antra alerta que, embora os assassinatos tenham diminuído, houve aumento nas tentativas de homicídio, indicando que a violência não regrediu, apenas mudou de forma. O dossiê atribui a persistência do problema à subnotificação, descrédito nas instituições, baixa cobertura da mídia e falta de políticas públicas específicas. O relatório será apresentado oficialmente ao Ministério dos Direitos Humanos, com recomendações para romper o ciclo de impunidade.

Os dados reforçam o cenário de violência contra a população LGBTQIA+ como um todo. Relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB) apontou 257 mortes violentas em 2025, incluindo homicídios, suicídios e latrocínios, o que equivale a uma morte a cada 34 horas no Brasil.