31 de julho de 2025
Política Internacional

Lula critica avanço do unilateralismo e diz que Carta da ONU está sendo “rasgada” no cenário global

Presidente afirma que “lei do mais forte” volta a prevalecer no mundo, faz críticas a Donald Trump e defende reação internacional em defesa do multilateralismo

Por Redação
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Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (23) que o mundo atravessa um momento de forte instabilidade política e institucional, marcado pelo enfraquecimento do multilateralismo e pela volta da chamada “lei do mais forte” nas relações internacionais. Segundo ele, a Carta das Nações Unidas (ONU) vem sendo sistematicamente desrespeitada por potências globais.

Durante discurso em um evento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), em Salvador, Lula avaliou que decisões unilaterais e disputas de poder têm substituído o diálogo entre países, afetando diretamente a governança internacional.

“Estamos vivendo um momento muito crítico na política mundial. O multilateralismo está sendo jogado fora pelo unilateralismo. Está prevalecendo a lei do mais forte. A Carta da ONU está sendo rasgada”, declarou o presidente.

Sem citar diretamente conflitos específicos, Lula relacionou o cenário atual a mudanças políticas recentes em diferentes regiões do mundo, incluindo eleições na América Latina e a volta de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos.

Críticas a Trump e à política externa dos EUA

Lula demonstrou preocupação com declarações recentes de Trump durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, quando o presidente norte-americano mencionou o interesse dos EUA na Groenlândia, além de anunciar um conselho para a paz em Gaza ilustrado com imagens de resorts de luxo. As falas repercutiram negativamente na comunidade internacional.

Para Lula, esse tipo de postura reforça uma lógica de dominação e ameaça à soberania de outros países. “Em vez de corrigir a ONU, como o Brasil defende desde 2003, o que está acontecendo é uma tentativa de criar uma nova ONU, como se uma pessoa só fosse dona do organismo”, criticou.

O presidente voltou a defender a reforma do Conselho de Segurança da ONU, com a inclusão de países como Brasil, México e nações africanas, como forma de tornar a organização mais representativa e eficaz.

Alerta para a democracia

Lula também relacionou o contexto internacional a riscos democráticos e afirmou que o Brasil precisa estar atento, especialmente com a aproximação das eleições de 2026. Segundo ele, o avanço de discursos autoritários em diferentes países exige vigilância constante.

O presidente afirmou que tem intensificado contatos diplomáticos nas últimas semanas para articular uma resposta internacional ao enfraquecimento do multilateralismo. Lula disse ter conversado com líderes como Vladimir Putin (Rússia), Xi Jinping (China), o primeiro-ministro da Índia, além de presidentes e chefes de governo da Hungria e do México.

“Eu estou há uma semana telefonando para países do mundo inteiro”, afirmou. A ideia, segundo ele, é avaliar a possibilidade de uma reunião internacional em defesa do diálogo e contra a imposição da força como regra nas relações entre nações.

Lula reforçou que a política externa brasileira não se baseia em alinhamentos ideológicos automáticos. “O Brasil quer ter relação com os Estados Unidos, com Cuba, com a China, com a Rússia. A gente não tem preferência”, disse, acrescentando que o país não aceita relações de subordinação.

“O que a gente não aceita mais é voltar a ser colônia para alguém mandar na gente”, completou.

Discurso pela paz

Ao comentar declarações de Trump sobre poder militar, Lula reiterou sua posição contrária a conflitos armados. “Eu não quero guerra. Eu sou um homem da paz”, afirmou.

O presidente destacou que o Brasil não disputa hegemonia militar e defendeu a diplomacia como principal instrumento de política internacional. “O que eu quero é fazer a guerra do convencimento, com argumento, mostrando que a democracia é imbatível”, concluiu.

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