31 de julho de 2025
esquema clandestino

Suspeito de comandar “banco fantasma” que movimentou R$ 1 bilhão é solto no Paraná

Investigado conhecido como “Lobo da Batel” vai responder em liberdade, com tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares

Por Redação
Publicado em
No momento da prisão, em dezembro, Dell’Agnolo foi encontrado com malas contendo cerca de R$ 5 milhões em dinheiro. - Foto: Reprodução/Web

A Justiça Federal no Paraná concedeu liberdade provisória a José Oswaldo Dell’Agnolo, de 38 anos, suspeito de comandar um esquema financeiro clandestino que teria movimentado pelo menos R$ 1 bilhão por meio de um chamado “banco fantasma”. Ele estava preso desde o início de dezembro, quando foi localizado em um hotel de luxo em Itapema (SC) com identidade falsa e mais de R$ 5 milhões em espécie.

A decisão foi proferida nessa quinta-feira (22) pela juíza federal substituta Gabriela Hardt, da 23ª Vara Federal de Curitiba, após parecer favorável do Ministério Público Federal (MPF). Segundo a magistrada, o investigado não possui antecedentes criminais e não há indícios concretos de que estivesse se preparando para fugir do país.

Com isso, a prisão preventiva foi substituída por medidas cautelares, como monitoramento eletrônico, restrições de deslocamento, proibição de contato com outros investigados e suspensão de atividades no mercado financeiro.

Dell’Agnolo ficou conhecido como “Lobo da Batel” por ostentar um padrão de vida luxuoso em um dos bairros mais nobres de Curitiba. Ele é apontado pela Polícia Federal como peça central de um esquema que operava por meio do chamado Futuree Bank e do escritório The Boss, estruturas que funcionariam como um banco paralelo, sem autorização do Banco Central.

Segundo as investigações, o grupo oferecia contratos com promessa de rendimento mensal de até 3%, quase o triplo da média de mercado. Mais de mil pessoas teriam investido no negócio, com prejuízos individuais que variam de R$ 20 mil a R$ 3 milhões. Apenas na cidade natal do investigado, Piraju (SP), o rombo estimado chega a R$ 50 milhões.

No momento da prisão, em dezembro, Dell’Agnolo foi encontrado com malas contendo cerca de R$ 5 milhões em dinheiro, entre reais e dólares, valor que foi apreendido pela Polícia Federal.

Em nota, a defesa afirmou que o investigado nunca tentou fugir e que seu afastamento temporário ocorreu por medo de ameaças contra ele e a família. Os advogados destacaram ainda que a substituição da prisão por medidas cautelares não representa impunidade, mas apenas a mudança da condição de liberdade enquanto o processo segue em tramitação na Justiça Federal.