31 de julho de 2025
Internacional

Trump endurece discurso contra o Irã e anuncia envio de força militar ao Oriente Médio

Presidente dos EUA fala em monitoramento próximo, reforço militar na região e novas sanções econômicas contra países que mantêm negócios com Teerã

Por Redação
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Donald Trump, presidente dos EUA - Foto: Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a endurecer o discurso contra o Irã nesta quinta-feira (22). Em entrevista concedida a jornalistas a bordo do Air Force One, o republicano afirmou que uma “grande força” está a caminho do Oriente Médio para acompanhar de perto as ações do regime iraniano.

A declaração ocorre em meio a movimentações militares americanas na região. Trump não deu detalhes, mas a imprensa dos EUA aponta que ele pode estar se referindo ao deslocamento do porta-aviões Abraham Lincoln e de navios de escolta, que deixaram o Mar do Sul da China na semana passada com destino ao Oriente Médio, segundo autoridades ouvidas por veículos americanos.

Durante a entrevista, o presidente também reafirmou a intenção de impor tarifas a países que mantenham relações comerciais com o Irã. Segundo Trump, uma taxa de 25% deve entrar em vigor “muito em breve”. A medida havia sido anunciada inicialmente em 12 de janeiro.

O anúncio pode ter impacto direto sobre o Brasil. Em 2025, empresas brasileiras importaram cerca de US$ 84,5 milhões do Irã, principalmente ureia, pistache e uvas secas. Já as exportações ao país somaram aproximadamente US$ 2,9 bilhões, com destaque para milho, soja e açúcar.

As novas ameaças surgem poucos dias depois de Trump ter adotado um tom mais moderado em relação ao Irã. Recentemente, o presidente havia sinalizado que poderia intervir no país em razão da repressão do regime iraniano a uma onda de protestos internos. Em 13 de janeiro, Trump afirmou que adotaria “medidas duras” caso manifestantes fossem executados. No dia seguinte, disse que Teerã teria suspendido as execuções e indicou que não promoveria ataques naquele momento.

Apesar disso, segundo a imprensa americana, o recuo teria ocorrido após pressão de assessores da Casa Branca, de países do Oriente Médio e de Israel, que, de acordo com o The New York Times, pediu o adiamento de qualquer ofensiva.

O governo iraniano já reagiu às ameaças, afirmando que atacará alvos americanos na região caso seja alvo de bombardeios. Diante da escalada de tensão, os EUA e aliados recomendaram que cidadãos deixassem o território iraniano, e bases militares americanas no Oriente Médio foram parcialmente esvaziadas.

Enquanto isso, os protestos no Irã perderam intensidade. Na quarta-feira (21), o regime reconheceu que mais de 3 mil pessoas morreram durante as manifestações, número que organizações internacionais de direitos humanos afirmam ser ainda maior.