Ônibus que saiu de Alagoas e tombou em Minas Gerais era clandestino, diz ANTT
Veículo irregular, com histórico de 30 autuações, tombou na BR-251 após falha nos freios; acidente deixou cinco mortos, incluindo bebê
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O ônibus que tombou na Serra de Francisco Sá (MG) na noite de quarta-feira (21), deixando cinco mortos e nove feridos, era clandestino e não tinha autorização para realizar transporte interestadual de passageiros, conforme confirmou a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Entre as vítimas fatais está um bebê.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o acidente ocorreu no km 474,8 da BR-251 após uma falha no sistema de frenagem em um trecho de declive e curva, o que impediu o motorista de reduzir a velocidade. O ônibus fazia o trajeto entre Arapiraca (AL) e Itapema (SC).
Um sobrevivente, o ajudante de eletricista Enthony da Silva, relatou que o veículo já apresentava problemas mecânicos havia dois dias. “O ônibus vinha falhando. […] Fiquei sabendo depois que viajaram o caminho todo sem os freios traseiros, só com os dianteiros. Quando chegou na serra, perdeu o freio total”, afirmou.
A ANTT informou que o veículo e a empresa responsável, Dinho Turismo, não possuíam cadastro ativo para o serviço e que o ônibus já havia sido autuado cerca de 30 vezes entre 2025 e 2026, principalmente por evasão de balanças e irregularidades no transporte. Em outubro de 2025, foi apreendido por descumprir normas de segurança.
A agência reforçou que é obrigatório o cumprimento de regras como o Termo de Autorização de Fretamento (TAF), seguro, monitoramento via Monitriip e registro no Sistema de Autorização de Viagem (SISAUT). A operação sem autorização caracteriza transporte clandestino, sujeito a multas, apreensão e ações penais.
O caso expõe graves falhas na fiscalização do transporte interestadual e levanta alertas sobre os riscos de empresas irregulares. A PRF e a ANTT seguem com as investigações.
Familiares das vítimas aguardam a liberação dos corpos e maiores informações sobre responsabilização. A empresa Dinho Turismo, procurada pela reportagem, disse estar em contato com advogados e se pronunciará posteriormente.