31 de julho de 2025
investigação

Delegada da PC-AL é investigada após carro apreendido ser encontrado com ex-marido em PE

Veículo roubado deveria estar sob custódia do Estado, mas foi flagrado com placas clonadas durante blitz da PRF

Por Redação
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Jeep Compass apreendido que é alvo de investigação do Ministério Público após ser flagrado pela PRF circulando com placa clonada - Foto: Reprodução

A delegada Maria Angelita de Lucena e Melo Souza, da Polícia Civil de Alagoas, é alvo de investigação administrativa e criminal após um veículo apreendido por roubo, que deveria permanecer sob custódia do Estado, ser flagrado circulando em Pernambuco em posse do ex-marido dela.

O caso teve início em 10 de junho de 2021, quando um Jeep Compass foi roubado no Recife (PE). O automóvel foi localizado meses depois e, em 1º de setembro do mesmo ano, acabou apreendido pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) durante fiscalização na BR-104, em Maceió. Após o procedimento, o carro foi formalmente entregue à Polícia Civil de Alagoas.

Quase um ano depois, em 5 de setembro de 2022, o mesmo veículo voltou a aparecer em uma nova ocorrência, desta vez durante uma blitz da PRF na BR-101, em Pernambuco. O Jeep Compass, que circulava com placas aparentes QYO-1113, teve os sinais identificadores verificados e foi constatado que se tratava do automóvel roubado em 2021, agora com placas clonadas.

O condutor abordado era o ex-marido da delegada. Ele foi preso em flagrante pelo crime de receptação, conforme o artigo 180 do Código Penal, segundo registro da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos de Pernambuco.

Durante o procedimento, o homem afirmou que o carro havia sido adquirido ainda durante o casamento e que, após a separação, permaneceu com ele. Ainda no local da abordagem, a delegada foi contatada por telefone e informou que o veículo estaria apreendido em Alagoas, mas que teria sido emprestado ao ex-marido para resolver um problema em Recife — versão que levantou suspeitas entre os policiais.

O ex-marido foi liberado após pagamento de fiança no valor de R$ 3 mil.

A repercussão do caso levou ao registro de denúncia na Ouvidoria da Polícia Civil de Alagoas e à abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD nº 009/2022). Ao fim do procedimento, a Corregedoria-Geral da Polícia Judiciária concluiu pela existência de infração disciplinar e aplicou à delegada a penalidade de suspensão por 45 dias, conforme portaria publicada em setembro de 2022.

Paralelamente, foi instaurado o Inquérito Policial nº 11481/2022 para apurar eventual responsabilidade criminal. No entanto, até pelo menos dezembro de 2024, o procedimento ainda não havia sido concluído. Em março de 2025, o Ministério Público de Alagoas informou que o PAD já estava encerrado, mas o inquérito policial seguia sem desfecho. Até o momento, não há registro de condenação criminal com trânsito em julgado relacionada ao caso.

O que diz a defesa

Na defesa apresentada no processo administrativo, a delegada sustenta que não houve entrega intencional de veículo apreendido ao ex-marido. Segundo a versão apresentada, ela estava fora do estado quando foi procurada pelo ex-marido, que precisava viajar a Recife, e teria autorizado que ele utilizasse um veículo particular de sua propriedade, também um Jeep Compass, que estava guardado nas dependências da delegacia.

A defesa afirma que houve um equívoco no momento da retirada do automóvel e que, por desatenção, o ex-marido acabou saindo com o veículo apreendido, de mesmo modelo, sem que a delegada tivesse ciência imediata do ocorrido.

Ainda conforme a defesa, não houve intenção de burlar procedimentos legais nem de beneficiar terceiros, e o episódio teria sido um erro involuntário. A delegada sustenta que não obteve vantagem pessoal e que sempre manteve conduta funcional considerada ilibada.

Auto de prisão em flagrante lavrado pela Polícia Civil de Pernambuco registra a abordagem do veículo com placas clonadas e a prisão do ex-marido da delegada. Documento integra investigação sobre destinação irregular de carro apreendido.