31 de julho de 2025
Jornada de trabalho

Boulos defende escala 6x1 e diz que menos dias de trabalho podem elevar a produtividade

Ministro cita estudos e experiências internacionais e afirma que governo quer reduzir jornada sem corte de salários

Por Redação
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Em entrevista ao Bom dia, Ministro, ele defendeu a redução da jornada. - Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou nesta quarta-feira (21) que o fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso (6x1) no Brasil pode resultar em aumento da produtividade da economia. A declaração foi dada durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, do Canal Gov.

Segundo Boulos, pesquisas e experiências práticas indicam que a redução da jornada tende a melhorar o desempenho dos trabalhadores. Ele citou um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), realizado em 2024 com 19 empresas que reduziram o tempo de trabalho, que apontou aumento de receita em 72% delas e melhora no cumprimento de prazos em 44%.

“Com seis dias de trabalho e um de descanso, muitas pessoas já chegam cansadas ao serviço. Quando o trabalhador está mais descansado, ele produz melhor. O que defendemos é baseado em dados”, afirmou.

O ministro também mencionou experiências internacionais. Segundo ele, a Microsoft no Japão adotou a escala de quatro dias de trabalho por três de folga e registrou aumento de 40% na produtividade individual. Na Islândia, a redução da jornada para 35 horas semanais teria contribuído para crescimento econômico de 5% e aumento de 1,5% na produtividade. Já nos Estados Unidos, houve uma redução média de 35 minutos na jornada diária nos últimos anos, com ganho médio de 2% na produtividade.

Para Boulos, a baixa produtividade da economia brasileira é frequentemente usada como argumento contra a mudança, mas ele questiona essa lógica. “Se não há tempo para qualificação, como é que a produtividade vai aumentar?”, disse. Ele também afirmou que parte do problema está na baixa taxa de investimento do setor privado em inovação e tecnologia, área que, segundo ele, é majoritariamente sustentada por recursos públicos no Brasil.

A proposta em discussão no governo é reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição de salários, em um regime de no máximo cinco dias de trabalho por dois de descanso. A medida deve prever período de transição e mecanismos de compensação para micro e pequenas empresas. Boulos afirmou que há avanço nas conversas com o Congresso para que o tema seja votado ainda neste semestre.

Atualmente, tramita na Câmara dos Deputados a PEC 8/2025, que propõe o fim da escala 6x1 e estabelece jornada de até 36 horas semanais, com quatro dias de trabalho, além de outras propostas sobre redução de jornada.

Juros e impacto nas empresas

O ministro reconheceu que há resistência de setores empresariais, que alegam aumento de custos com a mudança, mas afirmou que o impacto costuma ser superdimensionado e que haverá discussão específica para os pequenos negócios.

Boulos também criticou o nível elevado da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 15% ao ano, afirmando que isso pressiona o setor produtivo e dificulta investimentos. “Com esse custo do dinheiro, fica inviável investir e manter capital de giro”, disse.

A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 27 e 28 de janeiro. O Banco Central informou recentemente que o cenário de incertezas exige cautela e que a estratégia, por ora, é manter os juros nesse patamar por mais tempo.