31 de julho de 2025
INCLUSÃO SOB LUPA

Ao apostar em cargos, GDF teste novo caminho para inclusão social

A proposta prevê 15 cargos comissionados e a reserva de 2% das vagas em empresas contratadas, levantando questionamentos sobre alcance, permanência e efetividade das políticas públicas.

Por RAYANY FRANÇA
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GUSTAVO ROCHA, SECRETÁRIO DA CASA CIVIL - Foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press

O Governo do Distrito Federal anunciou uma medida inédita voltada à inclusão de pessoas em situação de rua: a previsão de 15 cargos comissionados, a serem ocupados exclusivamente por esse público, dentro da estrutura do próprio governo. Além disso, o GDF determinou que empresas contratadas pela administração pública reservem 2% das vagas de emprego para pessoas em situação de rua.

O episódio revela uma tentativa de romper com a lógica da assistência social isolada e apostar no trabalho como eixo central da reconstrução da dignidade. A proposta parte do entendimento de que ofertar apenas uma vaga de emprego não é suficiente se a pessoa ainda não está minimamente estruturada para assumir responsabilidades formais.

Por isso, a medida integra um conjunto mais amplo de políticas públicas, que envolve qualificação profissional, alimentação gratuita, hotel social, programas de reinserção produtiva e apoio para deslocamento, numa atuação articulada entre diferentes áreas do governo. O movimento expõe a intenção do GDF de enfrentar a extrema vulnerabilidade de forma integrada, e não apenas emergencial.

Na prática, a iniciativa pode representar uma mudança concreta na vida de pessoas que historicamente ficaram à margem do mercado de trabalho e das instituições do Estado. No entanto, a decisão também levanta questionamentos sobre o alcance e a continuidade da política. Cargos comissionados, por natureza, são temporários e vinculados à gestão de turno, o que reacende o debate sobre sustentabilidade e permanência das ações.