31 de julho de 2025
Mundo

Mortes em protestos no Irã chegam a 5.000, diz agência; líder supremo volta a culpar Trump por violência

Escalada de repressão em meio a protestos contra o regime eleva número de vítimas, enquanto governo iraniano nega os dados e acusa interferência dos Estados Unidos

Por Redação
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Mortes em protestos no Irã chegam a 5.000, diz agência; líder supremo volta a culpar Trump por violência - Foto: Reprodução

Cerca de 5.000 pessoas já morreram em decorrência da repressão à onda de protestos no Irã, segundo informou neste domingo (18) uma fonte do governo iraniano à agência de notícias Reuters. O novo balanço, no entanto, ainda não foi confirmado oficialmente pelas autoridades do país.

Os protestos já duram mais de 20 dias e começaram motivados pela crise econômica e pelo alto custo de vida. Com o avanço das manifestações, os atos passaram a incorporar reivindicações políticas e pedidos pelo fim do regime dos aiatolás, que governa o Irã há mais de 40 anos sob leis rígidas de repressão, especialmente contra mulheres.

A resposta das forças de segurança gerou forte reação internacional, diante de relatos de que policiais e militares estariam usando munição real contra manifestantes. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a ameaçar atacar o Irã, reacendendo as tensões entre os dois países.

O governo iraniano nega as acusações e afirma que as mortes de civis e agentes de segurança ocorreram em confrontos provocados pelos próprios manifestantes. Teerã também acusa os Estados Unidos de infiltrar agentes e estimular a violência durante os protestos. De acordo com a fonte ouvida pela Reuters, cerca de 500 dos mortos seriam militares ou policiais.

Organizações independentes de direitos humanos apresentam números diferentes. O grupo norte-americano HRANA informou no sábado (17) que contabilizava 3.308 mortes confirmadas, além de outros 4.382 casos ainda sob análise. A ONG também aponta que aproximadamente 24 mil pessoas foram presas desde o início das manifestações.

Já a Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega, estima que ao menos 3.428 manifestantes morreram em ações das forças de segurança, mas alerta que o total pode ser maior. O canal de oposição Iran International, com sede no exterior, chegou a divulgar um balanço de 12 mil mortes, citando fontes do governo e da segurança.

Neste sábado (17), o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, voltou a condenar publicamente os protestos. Em discurso, afirmou que as autoridades do país têm a obrigação de “quebrar as costas dos insurgentes” e responsabilizou Donald Trump pelas mortes ocorridas durante a repressão. Segundo Khamenei, os Estados Unidos e Israel estariam por trás de uma conspiração para desestabilizar o país.

“Não pretendemos levar o país à guerra, mas não perdoaremos os criminosos domésticos nem os criminosos internacionais”, afirmou o aiatolá, que está no poder desde 1989. Ele também declarou que o objetivo dos Estados Unidos seria submeter o Irã militar, política e economicamente.

As autoridades iranianas classificam os protestos como atos “terroristas”. O procurador de Teerã, Ali Salehi, declarou à TV estatal que a resposta do governo foi “firme, dissuasiva e rápida” diante do que chamou de ameaça à ordem pública.

A dimensão da repressão é difícil de ser verificada devido às restrições impostas à comunicação. Desde 8 de janeiro, o governo iraniano bloqueou o acesso à internet em grande parte do país. A ONG Netblocks informou neste domingo que detectou uma leve retomada da conectividade após mais de 200 horas de corte, mas destacou que o acesso ainda representa cerca de 2% do nível habitual.

Com as comunicações limitadas, iranianos que vivem no exterior relatam dificuldades para obter informações de familiares. Quando o contato é possível, as conversas costumam ser breves, por medo de interceptações e de possíveis represálias das autoridades.