Sem diálogo com o governo, policiais civis expõem lista de reivindicações ignoradas em Alagoas
Delegado-geral recebeu representantes do Sindipol, que cobram reunião com governador Paulo Dantas
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Representantes dos policiais civis de Alagoas voltaram a expor uma série de reivindicações represadas e a falta de diálogo direto com o Governo do Estado. Em reunião realizada na última terça-feira (13), na Delegacia Geral da Polícia Civil, a diretoria do Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas (Sindpol) apresentou demandas históricas da categoria ao delegado-geral Gustavo Xavier, mas voltou a cobrar uma audiência com o governador Paulo Dantas, que segue sem receber oficialmente os representantes da classe.
Segundo o presidente do Sindpol, Jânio Barbosa, ao longo dos mandatos de Paulo Dantas houve apenas uma reunião entre o governador e o sindicato, o que, na avaliação da entidade, evidencia o distanciamento do Executivo estadual das pautas da segurança pública. O delegado-geral afirmou que tentará intermediar o encontro por meio da Secretaria de Governo e da Secretaria de Segurança Pública.
Entre os principais pontos apresentados está a Lei Orgânica Estadual da Polícia Civil, considerada estratégica para a carreira. O texto da proposta já foi concluído por um grupo de trabalho, mas ainda não avançou politicamente. O sindicato cobra o envio do projeto à Assembleia Legislativa já em fevereiro, enquanto o governo estadual ainda não apresentou cronograma oficial.
Outra reivindicação é o pagamento do adicional noturno para policiais civis que atuam nos distritos da capital e da Região Metropolitana. O benefício, segundo o sindicato, deveria ser pago de forma regular, mas segue pendente. A direção da Polícia Civil informou que tentará viabilizar o pagamento nos próximos dias, sem detalhar prazos.
A verba alimentação também foi alvo de críticas. O benefício está sem reajuste desde 2020, acumulando defasagem ao longo de seis anos consecutivos, apesar de a legislação estadual prever atualização anual. O processo, segundo o sindicato, já tramita na Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag), mas ainda sem definição por parte do governo.
Outro ponto sensível diz respeito ao direito de policiais civis aposentados à cessão de armas, previsto na Lei Orgânica Nacional. Enquanto outros estados já regulamentaram o tema, Alagoas ainda não havia avançado. O delegado-geral sinalizou que deve publicar uma portaria autorizando a entrega do armamento aos aposentados, medida que ainda depende de formalização.
O sindicato também voltou a cobrar a implantação da verba de vestimenta, argumentando que muitos policiais precisam custear, do próprio bolso, roupas adequadas para o serviço operacional, diante da ausência de fardamento fornecido pelo Estado. A promessa de abertura de processo licitatório, feita anteriormente pela Secretaria de Segurança Pública, ainda não se concretizou.
A falta de efetivo nas delegacias também foi discutida. O Sindpol defende a criação do Serviço Voluntário Policial (SPV) como alternativa para garantir o funcionamento ininterrupto de unidades como a Delegacia da Mulher e reduzir o déficit em delegacias regionais. O tema, no entanto, segue em debate, sem encaminhamento prático.
Por fim, os policiais civis pediram maior flexibilidade nas permutas, apontando dificuldades administrativas que impactam diretamente a vida funcional da categoria.