31 de julho de 2025
investigação

Mais de 100 vítimas denunciam golpe de agência de viagens em Pernambuco; empresa já responde a mais de 30 processos

As denúncias contra a empresa JE Roteiro, Viagens e Turismo apontam a venda de pacotes pela internet

Por Redação
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As denúncias contra a empresa JE Roteiro, Viagens e Turismo apontam a venda de pacotes pela internet - Foto: Reprodução

Uma agência de viagens sediada em Paulista, na Região Metropolitana do Recife, está no centro de uma investigação policial após mais de 100 clientes relatarem terem sido vítimas de um golpe. As denúncias contra a empresa JE Roteiro, Viagens e Turismo apontam a venda de pacotes pela internet, seguida pelo cancelamento de última hora das viagens sem a devolução do dinheiro. A TV Globo tentou contato com a empresa, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.

As histórias das vítimas seguem um padrão angustiante. A promotora de eventos Elayne Aleixo pagou R$ 1.200 para passar o Réveillon com oito familiares em Porto de Galinhas. Um dia antes da viagem, o representante da empresa, identificado como José Eduardo Souto, cancelou o pacote alegando falta de vagas. "Minha família continua triste, frustrada", desabafou Elayne, revelando que a reserva havia sido cancelada pela agência meses antes, em setembro, sem qualquer comunicação. "Meu padrasto ganha um salário-mínimo. Ele pegou o dinheiro de uma pessoa suada... Transformou o sonho mais uma vez em pesadelo."

Outras vítimas, como a servidora pública Neuza Braga, relataram que a agência conquistava a confiança inicial com passeios curtos de "bate-e-volta" sem problemas. "Quando se fala em uma viagem de uma distância maior, vem o golpe. Porque a gente confia e investe mais", contou Neuza, que perdeu cerca de R$ 500 em uma viagem cancelada para Salvador.

A secretária acadêmica Rebeka Gomes Guaraná planejou comemorar o aniversário da filha no Rio Grande do Norte, mas teve a reserva de uma suíte transformada, sem aviso prévio, em um quarto compartilhado com uma pessoa desconhecida. Ao se recusar, a viagem foi cancelada pela própria agência, que prometeu reembolso imediato em novembro, mas nunca cumpriu. "Até hoje não respondeu", afirmou Rebeka.

A advogada Karolyne Soriano, que representa o grupo de vítimas, explicou a complexidade de responsabilizar os envolvidos. Segundo ela, a empresa opera com uma estratégia de constante mudança de CNPJ, endereço, titulares de contas bancárias e "laranjas" para fugir da Justiça. "Sempre que eles são descobertos, que veem que o cerco está se fechando, eles mudam", afirmou a advogada.

Karolyne Soriano revelou ainda que a empresa já responde a mais de 30 processos na Justiça, todos com decisões favoráveis aos clientes. No entanto, as vitórias judiciais são inócuas na prática. "Todos eles não tiveram retorno, porque não encontram os bens nas contas deles para fazer a penhora", explicou.