31 de julho de 2025
JUSTIÇA

MPPE investiga possíveis falhas na educação de adolescentes no CASE Garanhuns (PE)

Inspeção do Ministério Público encontrou desde problemas estruturais, como infiltrações, até falta de professores qualificados e alunos sem histórico escolar; Funase afirma que situação refere-se a 2024 e que avanços foram feitos

Por Paula Tabosa
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Centro de Atendimento Socioeducativo (CASE) de Garanhuns - Foto: Reprodução

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) instaurou um procedimento administrativo para apurar possíveis falhas na oferta de educação a adolescentes privados de liberdade no Centro de Atendimento Socioeducativo (CASE) de Garanhuns, no Agreste do Estado. O processo foi aberto pela 3ª Promotoria de Justiça de Garanhuns e teve portaria publicada no Diário Oficial desta terça-feira (13).

A medida foi adotada após uma inspeção realizada pelo MPPE na unidade, que identificou diversos problemas estruturais, como infiltrações, presença de salitre, portas danificadas e mobiliário depreciado. Também foram apontadas insuficiência de materiais didático-pedagógicos, sala dos professores improvisada e inadequação no fardamento fornecido, que não atendia ao tamanho de pelo menos 15 adolescentes.

Segundo o MPPE, a unidade também não dispunha de auxiliar de serviços gerais, o que teria resultado na sobrecarga dos profissionais da educação, responsáveis pela limpeza e organização dos espaços. A promotoria destacou ainda que há professores designados para lecionar componentes curriculares que não correspondem diretamente às suas formações acadêmicas.

Outro ponto levantado foi a variação significativa na frequência escolar, com ao menos 10 estudantes apresentando menos de 60% de participação diária. O órgão também questionou o tempo pedagógico ofertado, informando que as aulas ocorrem das 7h30/8h às 11h pela manhã e das 13h às 16h no turno da tarde, sem intervalo, quando o período letivo deveria ser mais extenso.

Durante a vistoria, foi constatado que um aluno se encontrava em situação de “não matrícula”, em cumprimento de sanção disciplinar, enquanto outros cinco adolescentes não possuíam histórico escolar. O MPPE concluiu ainda que a sala de leitura não atende aos critérios legais para funcionar como biblioteca e identificou irregularidades nas futuras instalações da cozinha escolar.

O procedimento tem como objetivo verificar se os adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa estão tendo acesso efetivo à educação formal, com estrutura adequada, professores suficientes, materiais didáticos e acompanhamento pedagógico compatível com suas necessidades. O MPPE pretende, ainda, promover intervenções para reorganizar a oferta educacional da unidade, buscando que a escolarização tenha impacto positivo na vida dos jovens.

A iniciativa está alinhada ao projeto institucional do MPPE “Eu Escrevo Minha História”, lançado em dezembro de 2024 no CASE Caruaru, com foco nas áreas da infância, juventude e educação. Em fevereiro de 2025, membros do Ministério Público aderiram formalmente ao projeto, que agora também passa a ser acompanhado no CASE Garanhuns.

Diante das irregularidades apontadas, o MPPE determinou que a Gerência Regional de Educação (GRE) Agreste Meridional preste esclarecimentos, no prazo de 15 dias, sobre as medidas adotadas para sanar os problemas ou as razões para a ausência de providências. A coordenação da escola instalada no CASE também deverá apresentar dados detalhados sobre alunos matriculados, níveis de aprendizagem e avanços registrados ao longo de 2024.

O procedimento prevê ainda a realização de avaliações diagnósticas para identificar os níveis de alfabetização dos adolescentes, bem como a implementação de ações de recomposição da aprendizagem. Outro eixo trata da organização e regularização da documentação escolar, envolvendo a escola, a Funase, a GRE e as secretarias municipais de Educação e Assistência Social.

Em nota, a Fundação de Atendimento Socioeducativo de Pernambuco (Funase) informou que os apontamentos do MPPE têm como base um recorte temporal referente ao ano de 2024. Segundo a instituição, naquele período a unidade passou por um processo de reordenamento, com avanços voltados à organização, manutenção e recuperação não apenas do prédio escolar, mas de toda a estrutura da unidade, além da adequação da mobília, conforme avaliações técnicas.

A Funase destacou ainda que dados do Eixo Educação indicam que, em 2024, cerca de 83% dos socioeducandos estavam matriculados, evidenciando o fortalecimento do acesso e da permanência dos adolescentes nas atividades educacionais. A instituição esclareceu também que a unidade conta com auxiliar de serviços gerais (ASG), com rotina regular de limpeza e manutenção dos espaços.