Ex-assessor de deputado recebeu Pix de R$ 25 mil de preso na farra do INSS
Transferência ocorreu após Vinicius Cruz, da ONG ligada à Conafer, receber R$ 250 mil de entidades investigadas; parlamentar Euclydes Pettersen já destinou R$ 2,5 mi em emendas à mesma ONG
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Vinicius Ramos da Cruz, presidente do Instituto Terra e Trabalho (ONG ligada à Conafer) e preso na Operação Sem Desconto, transferiu R$ 25 mil via Pix para um ex-assessor do deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG), apontado como porta-voz político da entidade investigada na farra do INSS. A movimentação consta em relatório do Coaf enviado à CPMI do INSS e revelado pela coluna de Andreza Matais, do portal Metrópoles.
O Pix foi realizado logo após Vinicius receber R$ 250 mil em depósitos da Federação dos Agricultores e Empreendedores Rurais do Centro Sul e Sudeste (Fafer) – vinculada à Conafer –, da esposa de um assessor da entidade e de uma empresa de sócia da Associação dos Aposentados do Brasil (AAB), também investigada.
O deputado Euclydes Pettersen destinou R$ 2,5 milhões em emendas ao Instituto Terra e Trabalho em 2022 e 2023, supostamente para capacitação de agricultores e inseminação de bovinos em Minas Gerais. Os valores, no entanto, foram desviados por meio de licitações fraudadas para a Agropecuária PKST LTDA, empresa registrada em nome de Ingrid Pikinskeni – esposa de um assessor da Conafer –, que recebeu mais de R$ 2,1 milhões.
Ainda no rastro das relações, Vinicius adquiriu um avião Cessna de Euclydes Pettersen por R$ 400 mil em março de 2023. A aeronave foi posteriormente vendida e registrada em nome de um suposto “laranja”, o secretário da Conafer Silas da Costa Vaz, que também figura como sócio do Terra Bank, banco digital ligado à entidade.
A Polícia Federal identificou que a Conafer utilizava uma lotérica em Minas Gerais para pagar propina a um “núcleo político” que incluía o deputado e seus assessores. Pettersen teria recebido ao menos R$ 14,7 milhões em troca de facilitar o acesso de Carlos Lopes, presidente da Conafer, a cargos de presidência do INSS.
A defesa de Ingrid Pikinskeni afirmou que as transferências foram “lícitas e transparentes”. O deputado Euclydes Pettersen não se manifestou até o fechamento desta reportagem.