31 de julho de 2025
investigação

Polícia descobre esquema com pontos eletrônicos em concurso público no Grande Recife

Suspeitos usavam smartwatch e pontos eletrônicos no ouvido para receber respostas durante a prova aplicada em Paulista, no Grande Recife

Por Redação
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Equipamentos foram usados em tentativa de fraude de concurso - Foto: PCPE

Três homens foram presos em flagrante no domingo (11) por tentativa de fraude em um concurso público para o cargo de guarda municipal, no município de Paulista, na Região Metropolitana do Recife. Segundo a Polícia Civil de Pernambuco, o grupo utilizava equipamentos eletrônicos para repassar as respostas das questões durante a aplicação da prova.

De acordo com a corporação, um dos suspeitos era responsável por fotografar o conteúdo da prova e enviá-lo para comparsas fora dos locais de aplicação. Os outros dois recebiam as respostas por meio de pontos eletrônicos praticamente invisíveis, colocados dentro do ouvido.

A polícia informou que os suspeitos foram identificados logo no início da aplicação do exame e, por isso, não houve prejuízo à lisura do concurso, que contou com cerca de 39 mil candidatos distribuídos em 80 escolas.

A investigação começou no dia 7 de janeiro, após uma denúncia anônima. A partir disso, os agentes conseguiram identificar os envolvidos e realizar abordagens simultâneas em diferentes locais de prova.

Segundo o delegado Júlio César Barbosa, da 1ª Delegacia de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado, o principal suspeito é Gerson Agustinho da Silva, de 47 anos, preso em flagrante em uma escola de Igarassu. Ele portava um smartwatch e, de acordo com a polícia, ocupava posição de destaque na hierarquia da organização criminosa.

“O objetivo dele não era ser aprovado, mas captar e repassar o conteúdo da prova para cúmplices externos”, explicou o delegado.

Conforme a investigação, os suspeitos deixavam uma prova falsa sobre a mesa e levavam a original ao banheiro, onde fotografavam as questões e as enviavam para fora da escola. Em seguida, as respostas eram repassadas aos candidatos por meio de um sistema composto por celular, um dispositivo que simulava um cartão de crédito e pontos eletrônicos no ouvido.

A polícia informou que os valores cobrados pelo esquema variavam de R$ 5 mil a até R$ 170 mil por candidato.

Os três homens foram levados à delegacia e autuados por fraude em concurso público e organização criminosa, mas acabaram sendo liberados após os procedimentos legais.

Ainda em Paulista, um quarto suspeito foi preso tentando fraudar o concurso para o cargo de agente de trânsito. Segundo a polícia, ele não tem relação com o grupo que atuava no certame da guarda municipal