31 de julho de 2025
"POBRES SEMIDEUSES"

CNJ dá prazo para desembargador de Alagoas explicar críticas em rede social

Márcio Roberto terá 5 dias para se manifestar sobre trechos como "pobres semideuses" e "a toga não é manto de divindade"; Tribunal de Justiça de Alagoas também foi intimado

Por Redação
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Desembargador Márcio Roberto, do Tribunal de Justiça de Alagoas - Foto: Reprodução/Dicom TJAL

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou a abertura de um pedido de providências contra o desembargador Márcio Roberto Tenório Albuquerque, do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), após ele publicar uma série de críticas em rede social. O magistrado terá cinco dias para prestar informações pormenorizadas sobre trechos de suas mensagens, especialmente as que fazem referência a "pobres semideuses", "aos que se julgam divinos" e à afirmação de que "a toga que vestimos não é manto de divindade".

A Corregedoria do CNJ agiu após tomar conhecimento das publicações pela imprensa. No texto do documento que o portal Francês News teve acesso, o desembargador afirmou manter "o mais profundo respeito à instituição TJAL", mas declarou que passaria a adotar "posição de absoluta independência e equidistância em relação àqueles que se pretendem donos da verdade, da sabedoria e da própria Lei". A Presidência do TJAL também foi intimada a se manifestar no mesmo prazo.

A medida ocorre em meio a um movimento recente do desembargador, que havia anunciado sua aposentadoria com um manifesto crítico, mas voltou atrás dias depois, alegando "compromisso institucional". Agora, além do debate interno, suas declarações públicas serão objeto de apuração formal pela Corregedoria.

O caso


No primeiro dia de 2026, Márcio Roberto havia publicado um texto explosivo intitulado "Altivez Institucional e Urbanidade Recíproca", no qual anunciava sua saída iminente e fazia duras críticas ao TJAL. Ele reclamou das instalações físicas de seu gabinete, que chamou de "cafua", em contraste com os "suntuosos gabinetes" da maioria, e direcionou ataques a colegas que chamou de "pobres semideuses" e "donos da verdade, da sabedoria e da própria Lei".

A reversão ocorreu após uma onda de apoio de familiares, colegas magistrados, membros do Ministério Público e cidadãos. Em uma entrevista ao Repórter Nordeste, o desembargador revelou ter recebido pedidos de reconsideração de várias partes do Brasil, inclusive do procurador-geral de Justiça, Lean Araújo. "Continuar é, neste momento, um gesto de responsabilidade institucional", declarou.

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