Wagner Moura ao NYT: “Não quero estereotipar latinos em Hollywood”
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Em entrevista ao The New York Times publicada neste sábado (10), Wagner Moura falou sobre a temporada de premiações, sua postura na carreira e a política brasileira. Considerado pela publicação como um dos principais nomes da temporada – com possibilidade de indicação ao Oscar por “O Agente Secreto” –, o ator revelou que rejeitou papéis em Hollywood após o sucesso de “Narcos” para evitar estereótipos sobre latinos.
“Talvez seja um tipo de coisa anticolonialista. Eu nunca fiz nada por dinheiro ou porque era uma grande coisa de Hollywood que todo mundo vai assistir. E especialmente depois de ‘Narcos’, eu não quero fazer nada que vá estereotipar latinos”, disse Moura. Ele contou que seus empresários ficaram surpresos com as recusas, mas que se mantém fiel às suas convicções: “Eu quero fazer os mesmos personagens que atores brancos americanos da minha idade estão fazendo”.
Sobre política, o ator comparou os ex-presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump, destacando que a resposta institucional brasileira foi mais rápida para punir os responsáveis pelos ataques antidemocráticos. “Foi fascinante a forma com a qual o Brasil foi super rápido em mandar as pessoas para a cadeia, encontrar os financiadores, e cassar os direitos políticos de Bolsonaro”, avaliou. Ele ainda criticou a retórica antielite do bolsonarismo, classificando-a como “manual do fascismo”.
Wagner Moura também celebrou o sucesso de “O Agente Secreto” no Brasil, enxergando o filme como um lembrete necessário sobre os anos da ditadura militar.