31 de julho de 2025
Política internacional

Senado dos EUA aprova resolução que limita ações militares de Trump contra a Venezuela

Proposta teve apoio de republicanos, ainda passará por novas votações no Congresso e pode ser vetada pelo presidente norte-americano

Por Redação
Publicado em
Donald Trump, presidente dos EUA - Foto: Doug Mills Poll/Reuters

O Senado dos Estados Unidos aprovou, nesta quinta-feira (8), uma resolução que busca impedir novos ataques militares dos EUA contra a Venezuela sem autorização prévia do Congresso. A medida representa um revés político para o presidente Donald Trump e reacende o debate sobre os limites do poder do Executivo em ações militares externas.

A resolução foi aprovada por 52 votos a 47, com apoio de cinco senadores do Partido Republicano, legenda do presidente. Apesar do resultado, o texto ainda precisará ser debatido novamente no plenário do Senado antes de seguir para a Câmara dos Representantes, atualmente sob controle republicano.

Para entrar em vigor, a proposta também precisará superar um possível veto presidencial. Pela legislação norte-americana, a derrubada de um veto exige o apoio de dois terços dos parlamentares tanto na Câmara quanto no Senado, o que torna o caminho da resolução incerto.

Iniciativas semelhantes já haviam sido apresentadas pelo Partido Democrata no fim de 2024, em meio ao aumento das tensões entre Washington e Caracas, mas acabaram barradas pela maioria republicana no Congresso à época.

O cenário político mudou após a polêmica operação que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. O episódio provocou fissuras dentro do Partido Republicano e levou parte da bancada a se posicionar contra Trump, passando a defender limites às ações militares do Executivo.

Após a votação, Trump reagiu nas redes sociais e criticou duramente os senadores republicanos que votaram a favor da resolução. Em publicação na plataforma Truth Social, o presidente afirmou que os parlamentares “deveriam se envergonhar” e disse que eles não merecem ser reeleitos.

Segundo Trump, a iniciativa compromete a capacidade de autodefesa dos Estados Unidos e coloca em risco a segurança nacional. O presidente também voltou a atacar a Lei dos Poderes de Guerra, criada nos anos 1970, que condiciona o envolvimento do país em conflitos armados à autorização do Congresso.

Na avaliação do chefe da Casa Branca, a legislação fere o artigo II da Constituição dos EUA, que define o presidente como comandante-chefe das Forças Armadas. Trump afirmou ainda que a lei é inconstitucional e que essa interpretação já teria sido compartilhada por administrações anteriores.