Exaustão persistente e queda de rendimento acendem alerta para casos de Burnout no início do ano
Especialista explica sintomas da síndrome e orienta trabalhadores a buscar ajuda diante de sinais de esgotamento físico e emocional
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O retorno ao trabalho após o período de férias e recessos pode ser mais do que apenas difícil para muitos profissionais. Em alguns casos, a volta à rotina vem acompanhada de um cansaço intenso, desmotivação e queda no desempenho, sinais que podem indicar a Síndrome de Burnout — transtorno associado ao estresse crônico no ambiente profissional.
Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um fenômeno ocupacional, a síndrome é caracterizada principalmente por três fatores: exaustão extrema, distanciamento mental ou sentimentos negativos em relação ao trabalho e redução da eficiência profissional. Segundo especialistas em saúde mental, o início do ano é considerado um período crítico, já que muitos trabalhadores retornam às atividades sob pressão por metas e cobranças, ainda sem recuperação plena do desgaste anterior.
De acordo com a médica especialista em saúde mental Lara Moreira, que atende na unidade, alguns sintomas merecem atenção. “O cansaço que não melhora mesmo após o descanso, a falta de motivação, a sensação de ineficácia e o desânimo constante são sinais de alerta. Quando esses sintomas persistem, é fundamental buscar avaliação profissional”, explica.
Entre os sinais mais comuns do Burnout estão fadiga intensa, dores de cabeça frequentes, distúrbios do sono, irritabilidade, dificuldade de concentração e perda de interesse pelas atividades profissionais. Em quadros mais graves, o problema pode evoluir para ansiedade, depressão e também provocar sintomas físicos, como taquicardia e alterações gastrointestinais.
A médica ressalta que o Burnout não deve ser visto como fraqueza individual, mas como resultado de ambientes de trabalho marcados por longas jornadas, pressão constante por produtividade, pouca autonomia e falta de reconhecimento. Por isso, a prevenção envolve tanto mudanças na rotina pessoal quanto a adoção de políticas institucionais voltadas à saúde e ao bem-estar.
Para quem está retomando as atividades, a orientação é reorganizar a rotina de forma gradual, estabelecer limites entre vida pessoal e profissional, manter hábitos saudáveis e reservar momentos de descanso. “O diálogo com gestores e equipes também é essencial para ajustar demandas e evitar sobrecarga”, destaca.
A rede pública de saúde oferece atendimento psicológico e psiquiátrico por meio da Atenção Primária e dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que garantem acolhimento e acompanhamento para pessoas em sofrimento relacionado ao trabalho.