Contém spoilers: criadores de "Stranger Things" explicam o final da 5ª temporada
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Atenção: daqui em diante teremos muitos spoilers. Se não assistiu o final de Stranger Things, evite ler esse texto.
O final da quinta e última temporada de "Stranger Things" deixou um vazio no coração dos fãs: o aparente sacrifício de Onze (Millie Bobby Brown). Em entrevista exclusiva à Netflix, os criadores da série, Matt e Ross Duffer, destrincharam os motivos por trás do destino ambíguo da personagem, que desapareceu junto com o Mundo Invertido no episódio final, "The Rightside Up".
Os roteiristas confirmaram que a ambiguidade foi uma escolha narrativa consciente. "O que queríamos fazer era confrontar a realidade da situação dela", explicou Matt Duffer. A série apresentava dois caminhos: um sombrio (a morte de Onze) e um otimista (a fuga simulada com a irmã Kali, como teorizado por Mike). A equipe nunca escreveu um roteiro em que ela terminava ao lado dos amigos em Hawkins.
Ross Duffer foi categórico: "Para que nossos personagens seguissem em frente e para que a história de Hawkins e do Mundo Invertido pudesse se encerrar, Onze precisava ir embora". A decisão não foi vista como uma punição, mas como parte necessária do amadurecimento do grupo e do fim da magia – e dos perigos – que ela representava.
A chave do final, segundo os criadores, está na crença. Mike, o otimista do grupo, escolhe acreditar na teoria de que Onze está viva, em um lugar distante com cachoeiras. "O fato de eles acreditarem nisso nos pareceu uma forma muito melhor de encerrar a história", disse Ross, simbolizando a transição da infância para a vida adulta.
Matt Duffer completou: "Se essa for a narrativa [de que ela está viva], essa é realmente a melhor forma de mantê-la viva. É sobre o Mike e todos encontrarem uma maneira de seguir em frente". Ou seja, mesmo que Onze sobreviva, um reencesso não era possível dentro da narrativa – o fechamento estava em aceitar a perda e manter viva a memória e a esperança.
O final, portanto, não oferece uma resposta definitiva, mas um exercício de luto e esperança para os personagens e, por extensão, para a audiência que os acompanhou por quase uma década. A magia de "Stranger Things" termina, mas a crença no "final feliz" persiste como um conforto necessário.