31 de julho de 2025
investigação

Após morte de idoso, Secretaria de Saúde apura esquecimento de pinça cirúrgica no corpo do paciente

Homem de 68 anos morreu após duas cirurgias; família e advogado suspeitam de negligência e pedem apuração de todos os registros hospitalares

Por Redação
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Idoso não resistiu e morreu após treze dias de internação - Foto: Reprodução

A Secretaria de Saúde de João Pinheiro, cidade no Noroeste de Minas Gerais, abriu uma sindicância para investigar a morte de um idoso de 68 anos que teve uma pinça cirúrgica "esquecida" dentro do corpo durante uma operação de urgência no Hospital Municipal. O caso, considerado suspeito pela família, envolve uma série de eventos que culminaram no óbito do paciente na véspera do Natal.

Segundo o boletim de ocorrência, Manoel Cardoso de Brito passou mal em casa no dia 4 de dezembro e foi levado ao hospital. Após exames, foi submetido a uma cirurgia de urgência no dia seguinte para tratar uma úlcera gástrica. O paciente permaneceu dois dias na UTI e depois foi transferido para o quarto, onde apresentou dor intensa e sonolência excessiva. No dia 11, após suspeita de AVC, foi realizada uma tomografia. Logo em seguida, sem que a família fosse informada dos motivos, o idoso foi levado às pressas para uma segunda cirurgia.

Os médicos informaram posteriormente que haviam retirado um dreno e pus da cavidade abdominal. Manoel retornou à UTI, mas não resistiu e morreu após treze dias de internação, em 24 de dezembro. De acordo com o advogado da família, a tomografia — divulgada posteriormente por uma rádio local — revelou a presença de um instrumento cirúrgico dentro do corpo do paciente. A família acredita que a pinça foi esquecida durante a primeira cirurgia e que essa negligência contribuiu para a piora do estado de saúde e para o óbito.

A Secretaria Municipal de Saúde confirmou que houve a retirada de um objeto durante a segunda cirurgia e afirmou que o paciente já estava em estado grave, com várias comorbidades. A pasta informou que reforçou os protocolos de segurança e abriu sindicância para apurar o caso. Enquanto isso, o advogado da família acompanha as investigações da Polícia Civil e deve requisitar todos os prontuários, laudos e registros clínicos do hospital para esclarecer as circunstâncias da morte.