31 de julho de 2025
Um problema de todos

71% das violências contra a mulher têm testemunhas, mas omissão ainda é alta em Alagoas

Estado registra 4.531 casos de violações em 2025, com redução de 35%, mas especialista alerta que denúncia é essencial para proteção e justiça

Por Redação
Publicado em
Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania engloba qualquer ato que atente ou viole os direitos humanos da vítima - Foto: EBC/Divulgação

Alagoas encerra o ano de 2025 com um dado que exige reflexão coletiva: foram registrados 4.531 casos de violações de direitos humanos contra mulheres, de acordo com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Embora o número represente uma redução expressiva de 35,73% em relação aos 7.050 casos de 2024, uma pesquisa nacional do Instituto DataSenado revela um obstáculo social profundo no combate a esse crime. O estudo, que ouviu mais de 22 mil brasileiras, mostra que 71% das agressões são presenciadas por alguém, mas 40% das testemunhas adultas não tomam nenhuma atitude para interromper a violência ou auxiliar a vítima.

Essa omissão parece se refletir em outro índice preocupante: dos mais de 4,5 mil casos computados em Alagoas neste ano, apenas 577 protocolos de denúncia foram formalizados junto à Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos. Para a professora de Direito Christine Keler, da Faculdade Anhanguera, romper o silêncio é o primeiro passo para salvar vidas e buscar justiça. "Denunciar casos de violência provoca uma série de eventos positivos. Ao denunciar, as vítimas podem receber proteção imediata contra o agressor, seja por meio de medidas como ordens de restrição ou acesso a abrigos seguros", destaca a especialista.

Como e onde pedir ajuda

Em um cenário onde a omissão das testemunhas é frequente, é crucial que a vítima e pessoas próximas saibam como agir. Os principais canais de denúncia e socorro são:

  • Disque 180 (Central da Mulher): Serviço gratuito e sigiloso para denúncias e orientação.
  • Disque 190 (Polícia): Em situação de perigo iminente, é possível fazer uma ligação codificada, simulando um pedido de comida para passar informações à polícia sem levantar suspeitas do agressor.
  • Delegacias Especializadas (DEAMs): Oferecem atendimento específico e podem adotar medidas protetivas de urgência.

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