Você consegue detectar um vídeo falso? Veja o que observar, segundo especialistas
Estudos indicam que 3 em cada 4 vídeos falsos de alta qualidade enganam a percepção visual; especialistas ensinam como desconfiar e mudar hábitos
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A linha que separa um vídeo real de um gerado por inteligência artificial (IA) praticamente desapareceu. Especialistas alertam que a capacidade humana de identificar deepfakes de alta qualidade entrou em colapso, criando um cenário preocupante para a desinformação. O problema não atinge apenas quem é leigo; mesmo pessoas jovens e familiarizadas com o ambiente digital estão sendo facilmente enganadas.
Segundo o especialista em Segurança da Informação Thiago Guedes Pereira, os erros grosseiros que antes denunciavam os vídeos falsos — como sombras irregulares e sincronia labial falha — foram superados pela tecnologia. "Em 2025, esses problemas praticamente desapareceram. Humanos identificam vídeos falsos de alta qualidade corretamente apenas 24,5% das vezes. Isso significa que três em cada quatro vídeos falsos enganam a percepção visual humana", destaca.
Nem mesmo as ferramentas automatizadas de detecção oferecem garantia absoluta, com sua eficácia caindo para cerca de 50% em situações do mundo real. Quando a produção visual é impecável, o caminho é analisar o contexto. O advogado especialista em IA Daniel Becker explica que os criadores de deepfakes exploram a reação emocional. "Vídeos fabricados surgem carregados de narrativa emocional, com pedidos implícitos de reação imediata. A ausência de histórico, data e fontes verificáveis é um sinal mais forte do que qualquer falha visual", afirma.
Alguns comportamentos ainda podem entregar a falsificação, como personagens que piscam de forma pouco natural ou muito regular, emoções que mudam de forma mecânica e uma sincronização exageradamente perfeita entre áudio e movimento. A própria perfeição, como ambientes sem ruídos ou interferências naturais, pode ser suspeita.
Para se proteger, é preciso mudar a forma de consumir informação. Becker é enfático: "A imagem em movimento deixou de ser evidência direta da realidade". Ele recomenda sempre desacelerar a reação a vídeos impactantes e buscar validação em fontes confiáveis antes de compartilhar. As plataformas de redes sociais utilizam sistemas de detecção, mas não conseguem acompanhar a velocidade de lançamento de novos modelos de IA nem distinguir facilmente entre usos maliciosos e legítimos (como na arte e no entretenimento).
A solução, segundo os especialistas, exige uma abordagem múltipla. A combinação de rotulagem de conteúdo, regulação tecnológica e, principalmente, educação digital em larga escala é apontada como a estratégia mais eficaz. "Educação em mídia e informação precisa entrar na escola. Não é um tema tecnológico, é um tema social", conclui Thiago Guedes Pereira, defendendo a literacia digital como uma política pública urgente.