31 de julho de 2025
VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

“Difícil não perder a fé na humanidade”, diz Janja após morte de Tainara

Primeira-dama afirma que crime não é caso isolado e cobra resposta coletiva diante da violência contra mulheres

Por Redação
Publicado em
“Difícil não perder a fé na humanidade”, diz Janja após morte de Tainara - Foto: Reprodução

A primeira-dama do Brasil, Janja Lula, lamentou publicamente a morte de Tainara Souza Santos, de 31 anos, que morreu na véspera de Natal após quase um mês internada em decorrência de um atropelamento violento. Em publicação nas redes sociais, Janja classificou o crime como um retrato da violência cotidiana enfrentada por mulheres no país e afirmou ser “difícil não perder a fé na humanidade”.

Tainara morreu na quarta-feira (24), depois de passar 25 dias internada no Hospital das Clínicas, em São Paulo. Ela foi atropelada e arrastada por mais de um quilômetro na Marginal Tietê, na região da Vila Maria, zona norte da capital paulista. Durante a internação, passou por ao menos quatro cirurgias, incluindo a amputação das duas pernas abaixo do joelho.

Na mensagem, Janja afirmou que a morte da jovem não pode ser tratada como um episódio isolado. “Escolho sempre acreditar na construção de um país onde o medo não nos paralise e não nos impeça de viver plenamente nossas vidas. Um país onde mulheres e meninas sejam livres para realizar seus sonhos e se sentirem seguras nas ruas, em casa, no trabalho e nos espaços de lazer”, escreveu.

A primeira-dama também manifestou solidariedade à família da vítima e reforçou a necessidade de enfrentamento à violência de gênero. “Não podemos normalizar ameaças, agressões e controles, nem fechar os olhos para pedidos de ajuda. Quando uma mulher é morta apenas por ser mulher, falhamos como humanidade e como sociedade. Por isso, a resposta precisa ser coletiva”, destacou.

Autor vira réu por feminicídio

O autor do crime, Douglas Alves da Silva, de 26 anos, está preso no Centro de Detenção Provisória II de Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo. Ele havia se tornado réu por tentativa de feminicídio no último dia 6, mas, com a morte da vítima, passou a responder por feminicídio consumado.

Douglas foi preso no dia seguinte ao crime, em um hotel na Vila Prudente, zona leste da capital, onde estava hospedado após o atropelamento.

Velório marcado por protestos

O velório de Tainara, realizado nesta sexta-feira (26), no Cemitério São Pedro, na Vila Alpina, zona leste de São Paulo, foi marcado por protestos. Familiares, amigas e movimentos sociais levaram faixas e cartazes pedindo justiça e cobrando punições mais rigorosas para crimes de feminicídio.

“Tainara não foi a última. Feminicídio virou uma pandemia”, afirmou uma manifestante do Movimento Mulheres da Várzea, presente na cerimônia.

O que diz a investigação

Imagens obtidas por veículos de imprensa mostram Tainara caminhando com um homem na manhã de 29 de novembro. Cerca de 30 segundos depois, câmeras de segurança registram o momento em que ela é atropelada. Outro vídeo, gravado por um motorista na Marginal Tietê, mostra a vítima sendo arrastada por longa distância.

Durante o depoimento, Douglas apresentou versões contraditórias. Inicialmente, afirmou não conhecer a vítima e disse que teria tentado atingir apenas o homem que a acompanhava, após uma confusão. Ele negou qualquer relacionamento com Tainara.

No entanto, o amigo que estava no carro com o suspeito declarou à polícia que os dois já haviam se relacionado ou, ao menos, conversavam pouco antes do crime. Segundo esse relato, Douglas teria ficado com ciúmes ao ver Tainara falando com outro homem, o que motivou a discussão e, posteriormente, o atropelamento — versão considerada central para a investigação.