31 de julho de 2025
PRESO NO PARAGUAI

Na fuga, Silvinei usou declaração falsa de câncer no cérebro e alegação de mudez para enganar autoridades

Ex-diretor da PRF portava documento dizendo ter glioblastoma e viajava para "tratamento" em El Salvador; foi preso no Paraguai com passaporte falso

Por Redação com G1
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Silvinei Vasques foi preso em Assunção, no Paraguai. - Foto: Reprodução

Ao tentar embarcar para El Salvador com um passaporte falso no Aeroporto de Assunção, o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques apresentou às autoridades paraguaias uma “Declaração Pessoal para Autoridades Aeroportuárias” na qual afirmava ter câncer no cérebro (Glioblastoma Grau IV) e, por isso, não podia falar ou ouvir. O documento, traduzido do espanhol, dizia que ele viajava para fazer tratamento de radiocirurgia em San Salvador.

A farsa foi desmontada pela polícia paraguai, que o prendeu na madrugada desta sexta-feira (26). Silvinei havia rompido a tornozeleira eletrônica na véspera de Natal e deixado sua casa em São José (SC) por volta das 19h22 do dia 24, levando um cachorro pitbull e itens como ração e tapetes higiênicos.

No texto, ele alegou: “Não falo nem ouço, devido a uma condição médica grave […] Tenho diagnóstico de Glioblastoma Multiforme – Grau IV, câncer localizado na cabeça (cérebro) […] Viajo desde Assunção, Paraguai, para San Salvador, El Salvador, com o objetivo exclusivo de receber referido tratamento médico.”

Polícia Federal informou ao ministro Alexandre de Moraes que Silvinei saiu de casa antes da tornozeleira parar de funcionar. Equipes policiais foram ao local na noite de quarta e na manhã de quinta, mas não o encontraram. Ele já estava a caminho do Paraguai.

Silvinei foi condenado pelo STF a 24 anos de prisão por participação na tentativa de golpe de 2022–2023. Agora, será repatriado e encaminhado a Brasília para cumprir pena em regime fechado. A tentativa de fuga com identidade falsa e documento médico forjado deve agravar sua situação perante a Justiça.

Veja abaixo a íntegra da declaração que Silvinei Vasques portava, traduzida livremente do espanhol para o português:

"DECLARAÇÃO PESSOAL PARA AUTORIDADES AEROPORTUÁRIAS

Eu, a pessoa que apresenta este documento, informo que não falo nem ouço, devido a uma condição médica grave.

Tenho diagnóstico de Glioblastoma Multiforme – Grau IV, câncer localizado na cabeça (cérebro), doença oncológica de prognóstico grave, razão pela qual não posso me comunicar verbalmente nem compreender instruções orais. Por esse motivo, não posso responder perguntas de forma falada.

Se for necessário, a comunicação pode ser realizada por escrito.

Informo, ainda, que conto com autorização médica para viajar, assim como receituário médico e medicação de uso contínuo, os quais porto comigo durante a viagem.

Durante o mês de dezembro de 2025, realizei tratamento de radioterapia e quimioterapia na cidade de Foz do Iguaçu, Brasil, o que ocasionou pequenas lesões na região do crânio, como efeito secundário do excesso de exposição ao feixe de radiação.

Atualmente, me desloco para realizar tratamento médico de radiocirurgia, o qual é um procedimento moderno e eficaz, que pode contribuir para prolongar o período de vida, conforme indicação médica especializada.

Não obstante, encontro-me completamente lúcido(a), consciente e em condições clínicas adequadas para realizar a viagem, assim como para atender a qualquer necessidade ou requerimento das autoridades competentes, dentro de minhas limitações de comunicação verbal e auditiva.

Viajo desde Assunção, Paraguai, para San Salvador, El Salvador, em voo operado pela empresa COPA Airlines, com o objetivo exclusivo de receber referido tratamento médico.

Minha data de retorno ainda não está definida, pois dependerá da realização de exames médicos complementares e de uma possível internação hospitalar necessária para a realização do procedimento.

Apresento esta declaração para conhecimento das autoridades competentes e solicito respeitosamente sua compreensão e colaboração."

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