Justiça Eleitoral condena prefeito de Diadema por associar assessor de Lula ao PCC
Taka Yamauchi foi sentenciado a quase sete meses de prisão por difamação e injúria eleitoral; cabe recurso
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A Justiça Eleitoral condenou o prefeito de Diadema (SP), Taka Yamauchi (MDB), a seis meses e 25 dias de detenção pelos crimes de difamação e injúria eleitoral. A decisão se refere a declarações feitas durante um debate entre candidatos à prefeitura, realizado pelo g1 em agosto de 2024. O prefeito pode recorrer em liberdade.
Segundo a sentença, as falas ocorreram quando Taka questionou o então prefeito José Filippi (PT), que disputava a reeleição. Na ocasião, o atual prefeito fez referência a Marco Aurélio Santana Ribeiro, então chefe do gabinete pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conhecido pelo apelido de “Marcola” — o mesmo apelido atribuído a Marcos Willians Herbas Camacho, apontado como líder da facção criminosa PCC.
Para a juíza Clarissa Rodrigues Alves, ficou caracterizada a intenção de ofender a honra da vítima ao associar o assessor presidencial ao crime organizado. “É de conhecimento notório que ‘Marcola’, e não a vítima, é um dos líderes da facção criminosa denominada PCC. O réu sabia do apelido da vítima e, ao relacionar seu nome ao crime organizado, assumiu o risco de provocar ofensa à honra objetiva e subjetiva”, escreveu a magistrada.
A decisão também afirma que o prefeito reuniu informações de reportagens distintas para “criar a sua própria história”, inserindo palavras ofensivas à reputação e à dignidade de Marco Aurélio Santana Ribeiro. Para a juíza, o contexto eleitoral das declarações tinha como objetivo atingir a imagem do adversário, por meio da comparação com o líder da facção criminosa.
A pena fixada é de seis meses e 25 dias de detenção, a ser cumprida inicialmente em regime aberto, caso a condenação seja mantida. Ainda cabe recurso às instâncias superiores.
Em nota, Taka Yamauchi informou que já tomou ciência da sentença e que apresentará recurso dentro do prazo legal. “O prefeito reafirma seu respeito às instituições e à Justiça, confiante de que os esclarecimentos serão devidamente apreciados pelas instâncias superiores, no exercício pleno do direito ao contraditório e à ampla defesa”, afirmou.