Após explosão, empresa sul-coreana prevê novo lançamento de foguete no Maranhão em 2026
Empresa sul-coreana afirma que falha aos 30 segundos de voo gerou dados técnicos essenciais para correções no projeto
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A empresa aeroespacial sul-coreana Innospace anunciou que pretende realizar uma nova tentativa de lançamento comercial do foguete HANBIT-Nano a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, no primeiro semestre de 2026. A decisão ocorre após a explosão do veículo cerca de 30 segundos após a decolagem, registrada na noite de segunda-feira (22).
Segundo a companhia, a falha foi causada por uma anomalia estrutural, que levou o foguete a colidir com o solo dentro da área de segurança da base. Apesar do insucesso, o CEO da Innospace, Kim Soo-jong, classificou a missão como relevante para o amadurecimento tecnológico do projeto.
Em comunicado, o executivo destacou que a coleta de dados reais de voo, propulsão e operação é considerada fundamental para correções futuras. “Essas informações só podem ser obtidas em ambiente de voo real e não são plenamente verificáveis em testes de solo ou simulações”, afirmou.
De acordo com a Innospace e a Força Aérea Brasileira (FAB), o motor híbrido de 25 toneladas do primeiro estágio funcionou normalmente, e o foguete manteve a trajetória prevista até o momento da falha. Engenheiros agora realizam uma análise detalhada dos dados de telemetria e rastreamento para identificar as causas da interrupção.
Para a próxima tentativa, a empresa prevê ajustes tecnológicos com base nos fenômenos observados no voo de dezembro, além de reforçar verificações de estabilidade operacional e ampliar o acúmulo de dados técnicos, prática comum em programas espaciais em fase inicial.
O HANBIT-Nano é um lançador orbital de dois estágios, projetado para colocar até 90 quilos de carga útil em órbita a cerca de 500 quilômetros de altitude. O veículo tem 21,8 metros de altura e 1,4 metro de diâmetro, e integra uma nova geração de foguetes de pequeno porte voltados a missões mais ágeis e de menor custo.
A missão faz parte da Operação Spaceward, iniciativa que prevê o envio de cinco satélites e três experimentos ao espaço. O projeto é resultado de um edital lançado em 2020, com contrato assinado entre a Innospace e o Comando da Aeronáutica em 2022.
Especialistas destacam a importância estratégica da base de Alcântara, localizada próxima à Linha do Equador, o que reduz custos e aumenta a eficiência dos lançamentos. Para o divulgador científico Pedro Pallotta, o Brasil ainda explora pouco esse potencial em comparação com potências espaciais como Estados Unidos, China, Rússia e Índia.
Antes da tentativa frustrada desta semana, o lançamento havia sido adiado três vezes pela FAB devido a falhas técnicas identificadas durante os procedimentos de abastecimento e inspeções prévias, incluindo anormalidades em válvulas e componentes do sistema de resfriamento do foguete.