31 de julho de 2025
SAÚDE

Mensagem revela que lobista Careca do INSS sabia de troca no Ministério da Saúde um mês antes da posse de Padilha

Em conversa por WhatsApp, Antonio Camilo Antunes disse que “projetos foram assumidos pelo novo ministro”

Por Redação
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O ministro da Saúde, Alexandre Padilha. - Foto: Divulgação/João Risi/MS

O lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, soube com um mês de antecedência que Alexandre Padilha (PT) assumiria o Ministério da Saúde em fevereiro deste ano. Em mensagem de WhatsApp obtida pela coluna de Tácio Lorran, do Metrópoles, ele informa a um interlocutor: “Nossos projetos foram assumidos pelo novo ministro.. Ficou melhor…”.

A troca de comando da Saúde só foi confirmada oficialmente em 25 de fevereiro, com posse em 10 de março. A mensagem do lobista, porém, é de 30 de janeiro – período em que o nome de Padilha ainda era apenas especulado.

Antunes tentava fechar, junto com a empresária Roberta Luchsinger – amiga de Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha) –, um contrato sem licitação para fornecer medicamentos à base de cannabis ao SUS. Em áudio revelado pelo jornal O Globo, Luchsinger orienta o lobista sobre como justificar a dispensa de licitação com base em “cenário de emergência”.

Roberta Luchsinger foi alvo da nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada em 18 de dezembro. A Polícia Federal identificou que ela recebeu R$ 1,5 milhão de Antunes, com indícios de que parte dos recursos teria como destino “o filho do rapaz” – possível referência a Lulinha.

Registros de acesso obtidos via Lei de Acesso à Informação mostram que o Careca do INSS esteve cinco vezes no Ministério da Saúde entre 2024 e 2025, sempre acompanhado de Roberta Luchsinger, com destino à secretaria-executiva. Apenas uma dessas visitas consta na agenda oficial do então secretário-executivo Swedenberger Barbosa (Berger).

O ministro do STF André Mendonça, ao autorizar a operação, destacou que investigações apontam “sociedade de fato” entre Antunes e Luchsinger na atuação junto à Anvisa e ao Ministério da Saúde.

Procurado, Alexandre Padilha não se manifestou sobre o caso. 

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