31 de julho de 2025
Investigação federal

PF aponta relação próxima entre desembargador preso e ex-presidente da Alerj

Conversas interceptadas indicam troca de informações sigilosas e levantam suspeita de obstrução de Justiça

Por Redação
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PF aponta relação próxima entre desembargador preso e ex-presidente da Alerj - Foto: Thiago Lontra/Alerj

A Polícia Federal identificou uma “estreita relação de amizade” entre o desembargador Macário Ramos Judice Neto, preso nesta terça-feira (16), e o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar. A informação consta em representação da PF baseada em mensagens interceptadas no celular do parlamentar, que embasaram a decisão judicial assinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Segundo a PF, há indícios de que o desembargador tenha repassado informações sigilosas a Bacellar sobre a operação que resultou na prisão do ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Jóias. À época, Macário Judice Neto era o relator do caso.

As mensagens analisadas pelos investigadores mostram um alto grau de intimidade entre os dois. Em diversos trechos, Bacellar e o desembargador se tratam como “irmão”, trocam declarações de afeto e conversam sobre assuntos pessoais, como a saúde do pai do deputado. Em outro momento, o magistrado chega a pedir ingressos para um jogo do Flamengo.

A investigação também aponta que a esposa do desembargador ocupou um cargo comissionado na Alerj por indicação direta de Bacellar, reforçando, na avaliação da PF, os vínculos entre ambos.

Outro ponto destacado é um encontro entre Bacellar e Judice Neto em uma churrascaria na noite de 2 de setembro, véspera da prisão de TH Jóias. Para a PF, há indícios de que os dois estavam juntos no momento em que o ex-presidente da Alerj teria alertado o então deputado sobre a operação que seria deflagrada na manhã seguinte. Como prova, foram anexadas mensagens em que Bacellar informa a terceiros que estava no local acompanhado do desembargador.

Na representação, a Polícia Federal afirma que a relação entre os dois “tem impacto relevante no prosseguimento das investigações” e indica a prática de obstrução de Justiça. O documento foi citado na decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinou a prisão de Macário Judice Neto.

Em nota, a defesa do desembargador, assinada pelo advogado Fernando Fernandes, nega as acusações, classifica as alegações como inverídicas e afirma que irá pedir a revogação da prisão.

O caso 

TH Jóias foi preso em setembro durante a Operação Zargun, apontado como principal alvo da investigação. Ele é acusado de ligação com a facção criminosa Comando Vermelho (CV), incluindo a intermediação na compra e venda de armas. Suplente, ele havia assumido uma cadeira na Alerj, mas perdeu o mandato após a prisão.

No início de dezembro, com base em mensagens encontradas no celular de TH Jóias, o STF também determinou a prisão de Rodrigo Bacellar, acusado de vazar informações da operação e auxiliar na ocultação de provas. O parlamentar ficou cinco dias preso e foi solto após a revogação da prisão. Em seguida, pediu licença do cargo.

Por decisão do ministro Alexandre de Moraes, Bacellar passou a usar tornozeleira eletrônica e está submetido a medidas cautelares, como afastamento da presidência da Alerj, recolhimento domiciliar, proibição de contato com outros investigados, suspensão do porte de arma e entrega do passaporte.