Tragédia no Hanukkah: atentado terrorista em Sydney mata 16 e fere 40 em ataque antissemita
Ataque na praia de Bondi, classificado como "incidente terrorista", aconteceu no primeiro dia da festividade judaica; um herói civil desarma um dos atiradores
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Atualizada as 16h36m
Um ataque violento interrompeu a celebração do primeiro dia do Hanukkah, o festival judaico das luzes, na icônica praia de Bondi, em Sydney, na Austrália. Classificado como um "incidente terrorista" pelas autoridades locais, o atentado deixou 16 pessoas mortas e outras 40 feridas, incluindo dois policiais em estado grave.
As vítimas fatais incluem o rabino Eli Schlanger, de 41 anos, nascido em Londres. O Itamaraty informou que, até o momento, não há registros de brasileiros entre as vítimas. Dois homens, identificados como os atiradores, foram abordados: um foi morto e o outro foi detido em estado crítico. A polícia investiga a possibilidade de um terceiro envolvido.
O primeiro-ministro de Nova Gales do Sul, Chris Minns, afirmou que "o ataque foi planejado para atingir a comunidade judaica de Sydney, no primeiro dia do Hanukkah". Mike Burgess, diretor-geral da inteligência australiana (ASIO), manteve o nível de ameaça terrorista no país como "provável".
Um ato de extrema bravura marcou o caos. Imagens mostram um homem de 43 anos, identificado como vendedor de frutas, aproximando-se e desarmando um dos atiradores. Ele foi baleado duas vezes – no braço e na mão – mas se recupera bem no hospital.
"É a cena mais inacreditável que já vi: um homem colocando sua própria vida em risco para salvar a vida de inúmeras outras pessoas", disse Minns sobre a ação.
A condenação ao ataque foi unânime e global. A ministra das Relações Exteriores da Austrália, Penny Wong, afirmou que "o terrorismo, o antissemitismo, a violência e o ódio não têm lugar na Austrália".
A Confederação Israelita do Brasil (Conib) emitiu nota manifestando "sua profunda consternação e solidariedade à comunidade judaica da Austrália". Na mesma linha, o secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o episódio como um "ataque hediondo e mortal" e lembrou que o Hanukkah celebra "a paz e a luz vencendo a escuridão".
O ataque reacendeu tensões geopolíticas. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, acusou o governo australiano de ter "alimentado o fogo do antissemitismo" após o reconhecimento de um Estado palestino.
Ataques dessa magnitude são raríssimos na Austrália, que possui leis rígidas de controle de armas desde o massacre de Port Arthur, em 1996. O impacto foi sentido imediatamente em outros países. No Reino Unido, por exemplo, a polícia anunciou o reforço do policiamento em comunidades judaicas durante as celebrações do Hanukkah.