31 de julho de 2025
saúde

Intestino forte, imunidade alta: os hábitos que todo gastro recomenda

Gastroenterologistas explicam como o "segundo cérebro" controla 70% da imunidade, influencia o humor e pode ser a chave para evitar doenças

Por Redação
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Imagem ilustrativa - Foto: Freepik

O intestino deixou de ser visto como um órgão meramente digestivo para assumir o papel de pilar central da saúde integral. A medicina moderna reconhece que ele é um regulador fundamental da imunidade, do humor, do metabolismo e do risco de diversas doenças, sendo por isso frequentemente chamado de "segundo cérebro". Cuidar dele, portanto, significa muito mais do que evitar desconfortos passageiros; é uma escolha diária que impacta profundamente todo o organismo.

Segundo a gastroenterologista Eloiza Quintela, consultora médica da Associação de Hospitais e Serviços de Saúde do Estado de São Paulo (AHOSP), cerca de 70% da imunidade do corpo está concentrada no intestino. Ele também participa ativamente da produção de neurotransmissores ligados ao bem-estar e ao equilíbrio emocional. "Ele interfere na regulação hormonal, no ganho de peso e na saúde emocional", afirma a especialista, destacando que até os modernos medicamentos para emagrecimento atuam em hormônios produzidos nesse órgão.

A gastroenterologista Debora Poli, do Hospital Sírio-Libanês, reforça que o intestino atua como uma barreira de proteção crucial entre o ambiente externo e o interior do corpo. Tudo o que é ingerido interage com a mucosa intestinal e com a microbiota — a comunidade de trilhões de microrganismos que ali reside. "O que passa por ele pode influenciar imunidade, hormônios, processos neurológicos, humor e o desenvolvimento de doenças", explica. Essa comunicação direta com o sistema nervoso, conhecida como eixo intestino-cérebro, esclarece por que o estresse pode causar sintomas digestivos e, inversamente, por que um intestino desequilibrado pode afetar o estado mental.

Os hábitos modernos são grandes vilões para a saúde intestinal. O consumo excessivo de alimentos ultraprocessados (pobres em fibras e ricos em açúcar e aditivos), o estresse crônico, o sedentarismo e o uso indiscriminado de medicamentos como antibióticos e anti-inflamatórios são os principais fatores que desequilibram a microbiota. Esse desequilíbrio prejudica a função de barreira do órgão, favorece inflamações e desencadeia sintomas como gases, inchaço, constipação e diarreia.

Para construir e manter um intestino saudável, os especialistas recomendam uma abordagem baseada em hábitos simples e consistentes:

  • Alimentação rica em fibras: Baseada em frutas, verduras, legumes, cereais integrais e sementes, que alimentam as bactérias benéficas.
  • Redução drástica de ultraprocessados: Evitar produtos com alto teor de açúcar, gordura e aditivos químicos.
  • Hidratação constante: Beber água regularmente é essencial para o bom funcionamento intestinal.
  • Prática regular de atividade física: Estimula os movimentos naturais do intestino e combate a inflamação.
  • Gestão do estresse: Cuidar da saúde emocional é cuidar diretamente do eixo intestino-cérebro.
  • Uso cauteloso de medicamentos e suplementos: Laxantes, probióticos e chás devem ser usados apenas sob orientação médica, para não mascarar problemas ou causar dependência.

Em relação à frequência intestinal normal, a Dra. Eloiza Quintela esclarece que o ideal varia de uma a três evacuações diárias até uma a cada dois dias. O mais importante é que o processo ocorra sem dor, esforço excessivo ou desconforto. Sinais de alerta que exigem avaliação médica incluem presença de sangue nas fezes, dor abdominal persistente, mudança súbita no hábito intestinal, perda de peso inexplicada ou diarreia/constipação que não cedem.

Adotar uma rotina que respeite esses pilares é um investimento de longo prazo na saúde. Manter um acompanhamento médico regular permite identificar precocemente qualquer alteração. Cuidar do intestino, concluem as especialistas, é uma das formas mais eficazes de promover o bem-estar físico e emocional de forma integrada.