31 de julho de 2025
Tendências de automação

Padaria aposta em garçons robôs para agilizar serviço e atrair clientes

Três robôs circulam pelo salão, entregam pedidos e recolhem louças; automatização acompanha movimento global que prevê 1 bilhão de máquinas em funções humanas até 2050

Por Redação
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O uso de robôs em funções operacionais segue uma tendência global. - Foto: David Plassa

Clientes da padaria Villa Grano, na Vila Clementino, zona sul de São Paulo, têm dividido a atenção entre pães e cafés e a presença de três garçons robôs que se tornaram a nova sensação do local. Batizados de Virgulino, Virgulina e Virgulino Júnior, eles circulam entre as mesas com precisão, entregam pedidos, recolhem louças e pedem passagem com frases educadas.

A tecnologia começou a operar em setembro e rapidamente conquistou o público, atraindo visitantes interessados em conhecer o atendimento automatizado. Para o proprietário, Luis Pereira Ferreira, os robôs também representam uma solução para a escassez de mão de obra — problema que persiste desde a pandemia. Segundo ele, a padaria mantém cerca de 20 vagas abertas em diferentes setores e não consegue preenchê-las.

A ideia de incorporar a família “Virgulino” surgiu após Ferreira conhecer modelos utilizados inicialmente em hospitais. O teste deu tão certo que três unidades foram adotadas. Um dos robôs, por exemplo, percorreu 37 quilômetros dentro da padaria no último mês, somando 184 mil entregas.

Apesar do desempenho, o proprietário afirma que a presença humana continua essencial. Os robôs servem como apoio à equipe, agilizando tarefas repetitivas e liberando atendentes para atividades que exigem interação e acolhimento. A funcionária Elizabete Delmondes, de 50 anos, reforça que a tecnologia facilita o trabalho: “Enquanto ele leva as louças, eu consigo atender outra mesa.”

O uso de robôs em funções operacionais segue uma tendência global. Relatório da Morgan Stanley prevê que, até 2050, cerca de 1 bilhão de robôs humanoides ocuparão postos antes exercidos por pessoas, sobretudo em tarefas simples e repetitivas. O mercado ligado à tecnologia deve movimentar US$ 5 trilhões, incluindo manutenção, suporte e infraestrutura — como o trabalho de mapeamento realizado por Mateus Oliveira, 25, responsável pela configuração e funcionamento dos robôs da Villa Grano.

Mesmo com a automação crescente, Ferreira reforça que as portas continuam abertas para quem deseja trabalhar: “Continuamos com as mesmas vagas e seguimos contratando.”