Papagaios-do-mangue e jabutis são transferidos para refaunação na Mata Atlântica de Alagoas
O objetivo é reintroduzir espécies ameaçadas e repovoar a floresta com animais que desapareceram da região
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Oito papagaios-do-mangue e 95 jabutis foram transferidos esta semana para viveiros de aclimatação na Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, em Coruripe, no sul de Alagoas. A ação faz parte de um amplo programa de refaunação coordenado pelo Ministério Público do Estado de Alagoas (MP/AL) em parceria com o Projeto Arca, a Usina Coruripe e diversas outras instituições. O objetivo é reintroduzir espécies ameaçadas e repovoar a floresta com animais que desapareceram da região, como o papagaio-do-mangue, extinto localmente na década de 1980.
Os papagaios, provenientes de apreensões de tráfico e devoluções voluntárias, passaram por exames de saúde e devem permanecer cerca de quatro meses em viveiros monitorados antes da soltura. O pesquisador Luís Fábio Silveira, da USP, destacou o papel ecológico dos animais: "Tanto os papagaios quanto os jabutis ajudam a replantar a floresta, pois eles são dispersores de sementes". Os papagaios estão no mesmo viveiro que abrigou, com sucesso, 20 papagaios-chauás soltos em janeiro deste ano.
Iniciativa envolve ampla rede de parceiros e modelo a ser replicado
O promotor Alberto Fonseca, coordenador da iniciativa pelo MP/AL, visitou os viveiros nesta quinta-feira (11) e classificou o Programa de Refaunação como um sucesso. "Ficamos muito felizes com esse objetivo alcançado. Depois do papagaio-chauá, agora temos os do mangue, os jabutis e, em breve, traremos para cá o mutum-de-alagoas", afirmou. A promotora Lavínia Fragoso, da Promotoria de Recursos Hídricos, ressaltou que o projeto é viabilizado pelo Pró-Reservas, programa que fomenta a criação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), áreas protegidas essenciais para a conservação.
A ação conta com uma extensa rede de colaboração, incluindo universidades (USP, UFAL, IFAL), órgãos ambientais (IMA, ICMBio, Ibama), a Polícia Ambiental e o setor privado, com o apoio de usinas e grupos empresariais da região. O procurador Roberto Carlos Batista, do MPDFT, que acompanhou a visita, elogiou o modelo alagoano. "As RPPNs são uma solução para áreas como Alagoas para reintrodução de animais silvestres, os quais repovoam e garantem a perpetuação da própria floresta", disse, sugerindo que a experiência seja reproduzida em outros estados.
O Plano de Ação Estadual (PAE) do Papagaio-do-mangue simboliza um esforço integrado de longo prazo. A iniciativa não apenas busca devolver espécies à natureza, mas também fortalece a fiscalização contra o tráfico de animais silvestres e promove a educação ambiental.