31 de julho de 2025
AMÉRICA DO SUL

Lula e Maduro retomam contato após mais de um ano em ligação sigilosa sobre crise no Caribe

Presidentes conversaram por 15 minutos; Lula demonstrou preocupação com ações dos EUA na região, mas não se ofereceu como mediador.

Por Redação
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Presidente Lula conversa com Nicolás Maduro, mandatário da Venezuela (arquivo) - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolás Maduro, da Venezuela, retomaram o diálogo direto após mais de um ano sem contato. Em uma ligação sigilosa realizada na terça-feira da semana passada (2), os mandatários conversaram por cerca de 15 minutos, em uma conversa descrita por auxiliares do Planalto como "bastante cordial" e uma espécie de "quebra-gelo".

O contato ocorre em um momento de crise diplomática entre Venezuela e Estados Unidos no Caribe e de esfriamento nas relações bilaterais com o Brasil. Desde o agravamento da crise política na Venezuela após as eleições de 2024 – consideradas fraudulentas por parte da comunidade internacional – e a decisão do Brasil de bloquear a entrada do país no Brics, o diálogo entre Lula e Maduro havia sido praticamente interrompido.

Segundo fontes do Palácio do Planalto que confirmaram a ligação à CNN, durante a conversa:

  • Lula expressou preocupação com as ações dos Estados Unidos no Caribe e pediu a avaliação de Maduro sobre os movimentos americanos na região.
  • O presidente brasileiro não se ofereceu como mediador entre Caracas e Washington, embora tenha sinalizado essa possibilidade em conversas recentes com o presidente americano, Donald Trump.
  • Maduro defendeu seu governo, rejeitando a acusação de liderar um cartel de drogas e classificando como "absurda" a ideia de que as drogas consumidas nos EUA partem da Venezuela.

Na avaliação do Itamaraty e do Planalto, a estratégia dos Estados Unidos vinha sendo a de promover defecções militares e fissuras internas para abalar o governo Maduro, mas sem sucesso até o momento. A visão atual do governo brasileiro é de que a ação mais provável dos EUA seria um ataque pontual e cirúrgico contra alvos venezuelanos relacionados ao tráfico de drogas, e não uma invasão militar em larga escala.