31 de julho de 2025
CONFIRA

Censura da advogada de Babal Guimarães gera críticas e reações de entidades nas redes

Organizações e sindicatos se manifestaram sobre a postura da advogada, enquanto deputados reforçam a importância da punição a agressores de mulheres.

Por Ellen Gonzaga
Publicado em
Advogada Karol Toledo, que representa o acusado e tentou impedir a cobertura jornalística do momento em que ele chegava à delegacia - Foto: Reprodução/TV Pajuçara

 A prisão do influenciador Babal Guimarães, em Maceió, voltou a gerar repercussão nesta semana não apenas pelo histórico de agressões contra mulheres, mas também pela atuação da advogada Karol Toledo, que representa o acusado e tentou impedir a cobertura jornalística do momento em que ele chegava à delegacia.

Babal Guimarães foi detido pela Polícia Civil de Alagoas, por meio da Dracco, após determinação de regressão ao regime fechado. A decisão judicial se baseou em novas acusações de agressão contra a atual namorada, a modelo Karla Lessa, supostamente ocorridas na madrugada de 28 de novembro.

Tentativa de censura à imprensa

A tentativa de censura aconteceu contra profissionais da TV Pajuçara que cobriam o momento da chegada do acusado à delegacia. durante o cumprimento da decisão da 16ª Vara Criminal da Capital. A advogada tentou impedir o registro de imagens, posicionando-se à frente das câmeras e abraçando o cliente para que não fosse filmado. Questionada sobre a intervenção, Karol Toledo teria respondido que agia “porque queria”, alegando ainda ter direito de não ser filmada, apesar do enquadramento estar direcionado ao réu e à atuação da autoridade policial.

A situação gerou diferentes manifestações públicas; em notas, entidades e órgãos se posicionaram sobre o caso.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Alagoas (Sindjornal) repudiou a conduta e prestou solidariedade aos profissionais, destacando que o ato configurou cerceamento do trabalho jornalístico, especialmente no contexto de cobertura ética e responsável de um acusado reincidente por violência contra mulheres.

O Por Mulheres Brasil manifestou preocupação com a atuação de Karol Toledo, presidente de uma Comissão Especial da Mulher da OAB/AL em Penedo, ressaltando a tensão ética de representar repetidamente um agressor de mulheres enquanto ocupa cargo institucional voltado à proteção feminina. Ao mesmo tempo, a rede repudiou ataques misóginos à advogada, lembrando que críticas devem recair sobre condutas e não sobre a dignidade de mulheres.

A OAB Penedo declarou total apoio à advogada, enfatizando que sua atuação no caso é legítima, que nenhum advogado deve ser confundido com os atos do cliente e repudiando ataques misóginos nas redes sociais.

Os deputados Delegado Leonam (União Brasil) e Cibele Moura (MDB) destacaram a importância da ação rápida da Polícia Civil e da Justiça, defendendo punição rigorosa a agressores de mulheres. Moura ainda criticou o regime aberto aplicado a Babal Guimarães, reforçou que réus reincidentes devem cumprir pena em regime fechado e cobrou a implementação da lista pública de estupradores e agressores de mulheres no estado.

O episódio reacende o debate sobre o equilíbrio entre a ampla defesa, direito constitucional de qualquer réu, e a liberdade de imprensa, especialmente em casos de repercussão social e violência de gênero. Enquanto a advogada atua no cumprimento do dever profissional, a imprensa mantém seu papel de informar a sociedade, e entidades civis se dividem entre o apoio à atuação legal e a crítica a posturas que possam obstruir o trabalho jornalístico.

Nota pública - Sindjornal

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Alagoas vem prestar solidariedade aos jornalistas Mônica Ermírio e Vasni Soares, que foram cerceados no exercícios de suas funções de levar à sociedade a realidade dos fatos. Ao tentar impedir imagens de uma reportagem, com a justificativa de proteger seu cliente, a advogada Karol Toledo demonstrou desconhecimento completo do que é o jornalismo.

Os colegas, que trabalham na TV Pajuçara, zelaram pela postura ética e responsável, sem sensacionalismo buscando a cobertura da prisão de Babal Guimarães, um criminoso que foi condenado, e agora reincidente, por bater em mulheres.

Durante a cobertura, a advogada se colocou no estranho papel de protetora do réu. O abraçando para evitar que fosse filmado na chegada à delegacia, se colocando de frente às câmeras, repetidas vezes, e até tentando impedir imagens.

Mesmo questionada com respeito, a advogada não quis apresentar a defesa de seu cliente e mais uma vez tentou impedir o trabalho dos jornalistas.

A imprensa busca sempre respeitar o papel dos operadores do direito, tanto que eles são fontes diárias de nossas reportagens.

Mas em hipótese nenhuma vamos aceitar que colegas sejam desrespeitados no exercício profissional.

Cabe aqui ressaltar que esse não foi o primeiro, nem é o último caso onde jornalistas têm suas condutas questionadas por discordância política ou mesmo pessoal.

E por isso o Sindjornal seguirá vigilante, na defesa dos colegas, da profissão e da democracia, afinal de contas, noticiar os fatos do dia a dia com transparência faz parte do jornalismo e da vida em sociedade.

Nota pública - Por Mulheres Brasil


O Por Mulheres Brasil acompanha com preocupação os desdobramentos do caso Babal Guimarães, em Maceió, investigado e preso por reiterados episódios de violência contra mulheres distintas, duas ex-companheiras e, agora, uma ex-namorada.

O direito à defesa técnica é garantia constitucional e deve ser assegurado a qualquer pessoa, inclusive em casos graves e de forte repercussão social. Esse princípio é inegociável em um Estado Democrático de Direito.

Ao mesmo tempo, causa apreensão o fato de que a defesa esteja sendo exercida por quem ocupa a presidência de uma Comissão Especial da Mulher da OAB/AL, subseção Penedo, função cuja vocação institucional é acolher vítimas, fortalecer redes de proteção e atuar no enfrentamento à violência de gênero. Esse acúmulo de papéis gera uma tensão ética e simbólica que merece reflexão por parte das instituições, sobretudo em um contexto de violência reiterada contra mulheres.

Também preocupa a postura de hostilidade dirigida a jornalistas mulheres que apenas exerciam seu trabalho. Nenhuma prerrogativa profissional autoriza atitudes que busquem intimidar comunicadoras ou dificultar o acesso à informação, especialmente em um país marcado por índices alarmantes de violência de gênero e tentativas recorrentes de silenciamento da imprensa.

Ao mesmo tempo em que registramos nossa posição, o Por Mulheres Brasil repudia ataques pessoais, discursos de ódio e linchamento virtual dirigidos à advogada envolvida. A crítica deve recair sobre condutas e estruturas institucionais, não sobre a dignidade de mulheres, quaisquer mulheres.

Reafirmamos nosso compromisso com uma advocacia ética, com a liberdade de imprensa e com o enfrentamento à violência contra a mulher, sempre em diálogo com as instituições e com respeito às garantias fundamentais. Seguiremos vigilantes, contribuindo para que a defesa dos direitos das mulheres seja tratada com a seriedade e responsabilidade que o tema exige.

Nota pública – OAB Penedo

A OAB Penedo manifesta total apoio à Dra. Karol Toledo, que, no exercício legítimo da advocacia, passou a sofrer ataques e comentários misóginos nas redes sociais por acompanhar seu cliente em procedimento policial.

A advocacia é indispensável à Justiça, e nenhum advogado pode ser confundido com o ato do cliente. A Dra. Carol atuou exclusivamente como profissional contratada, cumprindo seu dever constitucional de garantir a ampla defesa.

Repudiamos qualquer forma de misoginia, intimidação ou tentativa de deslegitimar o trabalho de uma mulher advogada.

Reafirmamos nosso respeito ao histórico ético, responsável e comprometido da Dra. Karol, tanto na Comissão da Mulher quanto na sua atuação privada.

A OAB Penedo permanece firme na defesa das prerrogativas da advocacia e da dignidade de todos os profissionais.