31 de julho de 2025
BRASÍLIA

"Anistia para Bolsonaro está fora de questão", crava Paulinho da Força sobre projeto da Dosimetria

Relator do PL na Câmara afirma que texto pode reduzir pena de ex-presidente para pouco mais de 2 anos, mas não o liberta para disputar eleições

Por Redação
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O deputado federal Paulinho da Força - Foto: Billy Boss/Câmara dos Deputados

Em declaração que enterra uma das principais expectativas da base bolsonarista, o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator do Projeto de Lei da Dosimetria na Câmara, afirmou categoricamente que não há qualquer possibilidade de anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em entrevista ao portal Metrópoles nesta segunda-feira (8), o parlamentar deixou claro que, no máximo, seu texto propõe uma significativa redução da pena – de 27 anos e 3 meses para 2 anos e 4 meses –, mas isso não resolveria o impedimento legal do ex-presidente de concorrer às eleições de 2026.

A fala do relator é um balde de água fria nas negociações políticas que vinham sendo articuladas em torno do PL. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, havia colocado como "preço" para desistir de sua pré-candidatura em 2026 justamente a liberdade e a anistia do pai. Em entrevista à Record no domingo (7), Flávio afirmou que sua candidatura é "consciente" e representa os "quase 60 milhões de brasileiros sequestrados" junto com Bolsonaro, e que só abriria mão dela se o pai estivesse "livre, nas urnas".

Paulinho da Força, no entanto, minimiza a pressão e afirma que o projeto enfrenta resistência até mesmo para ser votado. "Se eles não aceitam, não tem votação", disse, referindo-se aos partidos. Ele ainda avalia que, mesmo que o texto seja aprovado na Câmara – onde a urgência do PL já foi aprovada em setembro –, ele não tem sustentação para passar no Senado.

A escolha de Flávio Bolsonaro como candidato do PL em 2026, comunicada a interlocutores na última semana, frustrou setores mais pragmáticos do partido, que preferiam nomes como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Do lado governista, a decisão foi recebida com otimismo, por manter o embate político dentro do espectro bolsonarista. Uma nova pesquisa Datafolha, divulgada no sábado (6), mostra que, em um eventual segundo turno contra o presidente Lula, Flávio teria 36% das intenções de voto, contra 51% do petista.

O impasse coloca a base bolsonarista em uma encruzilhada: enquanto a família Bolsonaro tenta usar a candidatura de Flávio como moeda de troca por uma anistia, a realidade política no Congresso, conforme relatada por Paulinho da Força, indica que essa possibilidade está, pelo menos por ora, completamente fora do jogo. O desfecho dessa disputa deve definir os rumos da oposição nos próximos meses.

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