31 de julho de 2025
clima de tensão

Aprovação rápida da LDO 2026 reflete "trégua por conveniência" entre Executivo e Congresso, avaliam especialistas

Cientistas políticos afirman que a celeridade na votação reflete uma "trégua por conveniência" entre o governo federal e os parlamentares

Por Redação
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Cientistas políticos afirman que a celeridade na votação reflete uma "trégua por conveniência" entre o governo federal e os parlamentares - Foto: Pedro França/Agência Senado

O Congresso Nacional aprovou nesta semana, com relativa rapidez, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2026, que prevê, entre outros pontos, um calendário de R$ 13 bilhões em emendas parlamentares a serem pagas até três meses antes das eleições. Especialistas ouvidos pela CNN avaliam que a celeridade na votação reflete uma "trégua por conveniência" entre o governo federal e os parlamentares, já que o cenário político tem sido marcado por tensões recentes.

Para o cientista político Leandro Gabiati, a aprovação adiantada – ainda na primeira semana de dezembro – atende aos interesses de ambos os lados em um ano eleitoral. "Interessa ao governo ter o Orçamento aprovado para iniciar 2026 podendo utilizar os recursos, e é positivo para os parlamentares começarem o ano eleitoral com suas emendas", afirmou. O calendário proposto visa, na avaliação dele, "abastecer as bases eleitorais dos congressistas" meses antes das urnas.

Aprovação não sinaliza reconciliação, e clima de tensão deve persistir


Apesar da cooperação para a votação da LDO, os analistas não acreditam em uma reconciliação duradoura. O cientista político Christian Lynch, professor da UERJ, define o movimento como uma "trégua", não uma reaproximação. "O governo e o Congresso continuam distantes, desconfiados e competindo por agenda. A tendência para 2026 não é de melhora, mas de conflito controlado", pontuou.

O professor da UnB Ricardo Caldas avalia que, ao aprovar o texto rapidamente, os presidentes do Congresso e a oposição perderam uma "moeda de barganha" valiosa. Ele destaca que tanto Davi Alcolumbre, no Senado, quanto Hugo Motta, na Câmara, poderiam ter usado a LDO como instrumento de pressão por suas pautas, mas optaram por não travar o processo. Com o recesso parlamentar se aproximando, a expectativa é de um clima político contido, sem grandes votações que possam abalar o governo até o final do ano.