31 de julho de 2025
OPINIÃO

A indicação de Jorge Messias ao STF e o amadurecimento democrático do Judiciário

Escolha do atual AGU representa continuidade de uma trajetória técnica e de defesa dos direitos fundamentais, em um momento crucial para a autonomia da Corte

Por Redação
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O advogado-Geral da União, Jorge Messias - Foto: José Cruz/Agência Brasil

A indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União (AGU), para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) ocorre em um momento decisivo para a consolidação democrática do Judiciário brasileiro. Após um passado de submissão ao Executivo durante a ditadura e de forte influência de elites conservadoras, a Corte vem, nas últimas décadas, reafirmando seu papel de guardiã da Constituição e dos princípios do Estado Democrático de Direito.

maturação institucional do STF ficou evidente em julgamentos emblemáticos, como o dos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 – visto internacionalmente como um marco de solidez democrática. Nesse contexto, a escolha de um novo ministro transcende meras disputas políticas e deve ser avaliada pela capacidade de contribuir para a autonomia e a legitimidade técnica da Corte.

Messias reúne um currículo acadêmico e profissional de excelência: formado pela UFPE, doutor pela UnB, aprovado em concurso para advogado da União e com passagens por cargos estratégicos como subchefe de Assuntos Jurídicos da Presidência e secretário de Regulação da Educação Superior. Sua atuação à frente da AGU tem sido marcada pelo rigor técnico, pelo diálogo e pela defesa de direitos fundamentais, como demonstrado na parceria com as defensorias públicas para proteção de grupos vulneráveis.

confiança de Lula em Messias não deriva de uma relação de favorecimento, mas da constância com que ele tem defendido os interesses da União com equilíbrio e coerência. Em um cenário político polarizado, seu perfil conciliador e técnico representa um antídoto contra distorções ideológicas de qualquer espectro.

A resistência à sua indicação parece nascer justamente do receio de setores conservadores de que a nomeação fortaleça ainda mais a autonomia do Judiciário como pilar da democracia. Escolher Messias é, portanto, optar pela continuidade de um projeto de Estado que prioriza a estabilidade institucional, a defesa da Constituição e a proteção dos mais frágeis – elementos essenciais para a plena maturidade democrática do Brasil.