Estudo mostra que gordura abdominal é mais perigosa para o coração do que o peso total
Pesquisa apresentada em congresso internacional revela que “barriga de chope” causa alterações silenciosas no coração, mesmo antes de sintomas cardíacos aparecerem
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A distribuição da gordura no corpo pode ser um indicador mais preciso do risco cardíaco do que o peso total medido pelo Índice de Massa Corporal (IMC). É o que aponta um estudo apresentado no congresso anual da Sociedade Radiológica da América do Norte (RSNA), realizado entre 30 de novembro e 4 de dezembro, que analisou 2.183 adultos entre 45 e 74 anos sem histórico de doenças cardiovasculares.
Os pesquisadores compararam o IMC – que considera o peso total – com a relação cintura-quadril, que indica onde a gordura está concentrada. Por meio de ressonância magnética cardíaca, descobriram que a gordura abdominal está associada a alterações específicas e preocupantes na estrutura do coração, mesmo em pessoas ainda assintomáticas.
Principais achados:
- A cada aumento de 0,1 ponto na relação cintura-quadril, houve aumento da massa do ventrículo esquerdo (espessamento do músculo cardíaco) e redução dos volumes diastólicos (menor capacidade de armazenar sangue por batimento).
- Esse padrão de remodelação cardíaca é considerado preocupante e precedente a sintomas.
- O IMC elevado, por outro lado, não provocou o mesmo tipo de espessamento muscular, mostrando que duas pessoas com o mesmo peso podem ter riscos diferentes dependendo da localização da gordura.
- Os efeitos foram mais fortes em homens, possivelmente pelo padrão masculino de acúmulo de gordura na região central.
Os autores ressaltam que o estudo mostra associação, não causa e efeito, mas a descoberta de alterações cardíacas silenciosas em pessoas sem doença diagnosticada é um alerta. Eles defendem que a avaliação de risco cardiovascular passe a incluir medidas como circunferência da cintura e relação cintura-quadril, além do IMC.
As recomendações de prevenção seguem válidas: alimentação equilibrada, atividade física regular e acompanhamento médico. No entanto, monitorar o aumento da cintura ganha agora ainda mais importância para identificar precocemente quem pode desenvolver sobrecarga cardíaca no futuro.