Alcolumbre e Planalto empurram indicação de Jorge Messias ao STF para 2026
Sabatina é retirada de pauta, governo segura mensagem oficial e disputa política adia definição para o próximo ano
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A indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal não deve mais avançar em 2025. A sinalização foi dada, nesta quinta-feira (4), tanto pelo líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), quanto pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em meio ao impasse político que travou a sucessão na Corte.
Ao afirmar que “este ano, só o Orçamento”, Alcolumbre praticamente enterrou qualquer possibilidade de avanço antes do recesso parlamentar. A fala ecoou minutos depois da declaração de Randolfe, que confirmou que a disputa pela vaga será retomada apenas em 2026.
“Esse será um debate do próximo ano. A indicação ao STF está pacificada após a ausência de manifestação do presidente nos últimos dias”, afirmou o líder governista.
A paralisia é resultado direto do confronto entre Palácio do Planalto e comando do Senado. A escolha de Lula por Messias contrariou o desejo de Alcolumbre, que trabalhava pela indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). O embate fez o presidente do Senado desmarcar a sabatina do AGU antes mesmo de o governo formalizar o envio da mensagem oficial — documento que, diante da resistência, o Planalto decidiu postergar.
Campanha silenciosa
Enquanto isso, Messias tenta reduzir resistências no Parlamento. Além da peregrinação por gabinetes de senadores, o AGU buscou se aproximar ainda mais do Legislativo ao se posicionar contra decisão liminar do ministro Gilmar Mendes que restringia à Procuradoria-Geral da República a apresentação de pedidos de impeachment de ministros do Supremo.
A manifestação foi interpretada como um aceno direto ao Senado — especialmente a Alcolumbre —, por preservar a prerrogativa atual de parlamentares e cidadãos de apresentarem pedidos de cassação por crime de responsabilidade. A liminar provocou nova tensão entre os Poderes, e o gesto de Messias foi visto como tentativa de aliviar o clima.
Ainda assim, Alcolumbre minimizou a articulação. Disse que não tomou conhecimento da posição do AGU e seguiu firme na decisão de não pautar a sabatina neste ano.
Com o impasse instalado e as agendas travadas, a disputa pela cadeira no Supremo entra agora na longa fila de pendências que só devem voltar ao centro do debate político a partir de 2026.