Movimentação da Provider em Brasília gera pressão por explicações sobre contrato do INSS. A sede fica em Caruaru
Empresa argumenta que não haveria possibilidade de influência no pregão, pois todo o processo é eletrônico e anônimo
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A empresa pernambucana Provider, sediada em Caruaru e comandada pelo empresário João Luiz Dias Perez, voltou a ganhar destaque nacional após ser citada em questionamentos sobre sua atuação junto ao INSS. A companhia, que atua há pelo menos 17 anos no atendimento previdenciário, mantém contratos relevantes com a autarquia e ampliou sua participação em disputas recentes.
Em 2023, a Provider venceu uma licitação de R$ 117,7 milhões para operar a Central de Atendimento 135 em 13 estados, com contrato válido até janeiro de 2027. Apesar de possuir estrutura instalada desde 2007, quando venceu sua primeira disputa, a empresa se tornou alvo de controvérsia após registros oficiais indicarem que seu sócio-diretor permaneceu por quase todo o dia dentro do Ministério da Previdência na mesma data do pregão, realizado de forma totalmente eletrônica.
De acordo com dados da portaria da Esplanada dos Ministérios, João Luiz Dias Perez entrou no prédio às 10h14 e só saiu às 17h32, coincidindo com o horário em que o sistema registrava os lances da concorrência. A agenda pública do então secretário-executivo da pasta, Wolney Queiroz, também apontou uma reunião com o empresário entre 12h e 13h. A coincidência levantou suspeitas de possível favorecimento, motivando parlamentares da oposição na CPMI do INSS a pedir explicações formais ao ministério.
A atuação da Provider junto à Previdência ganhou novo capítulo em 2025, quando a empresa voltou a ser homologada vencedora em outra licitação, desta vez estimada em R$ 378 milhões, disputada com outras 21 concorrentes. O contrato ainda não foi assinado, mas o resultado reforça a presença da empresa no setor de atendimento ao segurado.
Em defesa própria, a Provider afirma que a presença de seu representante no Ministério da Previdência no dia da licitação de 2023 se deu por razões administrativas, relacionadas a questionamentos de descontos contratuais. A empresa argumenta que não haveria possibilidade de influência no pregão, já que todo o processo é eletrônico e anônimo. Também destaca que sua sede em Caruaru lhe confere vantagem competitiva legítima pela infraestrutura previamente instalada, além do impacto socioeconômico significativo, por ser responsável pela geração de mais de 2.200 empregos diretos em Caruaru, movimentando a economia local.
Ainda na nota, a empresa explica que o contrato firmado no valor de R$ 117,78 milhões, na verdade, representou um desconto de 20,23% em relação ao montante previsto no edital, estimado em R$ 147,65 milhões para cinco anos de operação. Isso significa uma redução de R$ 29,87 milhões no valor global inicialmente projetado.