31 de julho de 2025
Bets

SUS terá teleatendimento e plataforma para prevenção de vício em apostas

Iniciativa dos ministérios da Saúde e da Fazenda oferece atendimento online e bloqueio de CPF em sites de apostas, com foco em saúde mental e financeira

Por Redação
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou que, embora as apostas eletrônicas tenham sido autorizadas em 2018, faltava regulamentação sobre tributação, propaganda e proteção de usuários - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Sistema Único de Saúde (SUS) vai disponibilizar teleatendimento voltado para pessoas com problemas relacionados a jogos de apostas, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês. A medida faz parte de um conjunto de iniciativas lançadas pelos ministros da Saúde, Alexandre Padilha, e da Fazenda, Fernando Haddad, voltadas à prevenção e ao cuidado de usuários afetados pelo vício em bets.

Entre as ações está a criação de uma plataforma de autoexclusão, que permitirá ao apostador solicitar o bloqueio de seu CPF nos sites de apostas, evitando novos cadastros ou recebimento de publicidades. A ferramenta entra em funcionamento no dia 10 de dezembro.

O acordo também institui o Observatório Brasil Saúde e Apostas Eletrônicas, um canal permanente de troca de dados entre os ministérios, que vai identificar padrões de compulsão e apoiar usuários nos serviços do SUS. Inicialmente, serão oferecidos 450 atendimentos online por mês, podendo esse número ser ampliado conforme a demanda.

Além do teleatendimento, o SUS disponibiliza orientações sobre pontos de atendimento e a Linha de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas, que prevê atendimento presencial e online, reduzindo barreiras ao acesso à saúde mental.

Segundo o diretor do Departamento de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas, Marcelo Kimati, o perfil mais comum de usuários atendidos inclui homens entre 18 e 35 anos, negros, que vivem situações de estresse, isolamento ou vulnerabilidade social. Entre 2023 e 2025, o número de atendimentos relacionados a vício em apostas no SUS passou de 2.262 para 3.490, com 1.951 registros apenas nos seis primeiros meses de 2025.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou que, embora as apostas eletrônicas tenham sido autorizadas em 2018, faltava regulamentação sobre tributação, propaganda e proteção de usuários. Agora, o regramento impede que crianças ou beneficiários de programas sociais, como o BPC ou o Bolsa Família, sejam cadastrados nos sites de apostas. 

“A partir dos dados que temos, vamos identificar padrões de adição ou compulsão, permitindo que nossas equipes entrem em contato e ofereçam apoio às pessoas”, explicou Alexandre Padilha, ministro da Saúde.