31 de julho de 2025
DETERMINAÇÃO DO STF

Ministro da Justiça demite Alexandre Ramagem e Anderson Torres da Polícia Federal

Ex-diretor da Abin e ex-ministro foram condenados por tentativa de golpe

Por Redação
Publicado em
Alexandre Ramagem durante interrogatório no STF - Foto: Gustavo Moreno/STF

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, assinou nesta quarta-feira (3) as portarias que determinam a demissão de Alexandre Ramagem e Anderson Torres da Polícia Federal. A medida atende a uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), que condenou os dois por participação na tentativa de golpe de 2023 e determinou a perda de seus cargos na corporação.

As portarias serão publicadas no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira (4), formalizando o desligamento. Ambos já haviam sido condenados pela Primeira Turma do STF em setembro: Ramagem a 16 anos de prisão e Torres a 24 anos.

Quem são os demitidos:

  • Alexandre Ramagem: Foi deputado federal pelo PL-RJ e diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Jair Bolsonaro. O STF entendeu que ele usou a estrutura da Abin para vigiar adversários políticos e reforçar ataques ao sistema eleitoral. Atualmente, está foragido nos Estados Unidos.
  • Anderson Torres: Foi ministro da Justiça no governo Bolsonaro e secretário de Segurança do Distrito Federal em janeiro de 2023, quando ocorreram os atos golpistas. Em sua casa, a PF apreendeu um rascunho de decreto para um estado de defesa, considerado uma prova da conspiração. Ele está preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

Apesar da demissão, os Processos Administrativos Disciplinares (PADs) que correm contra os dois na Polícia Federal permanecerão em andamento. Esses procedimentos apuram possíveis infrações funcionais e podem resultar em outras penalidades, mesmo após o desligamento.

A medida reforça o cumprimento das decisões judiciais contra agentes públicos condenados por crimes graves e fecha um capítulo na relação dos dois com a PF após as condenações por envolvimento nos ataques às instituições democráticas.