Gaspar vai convocar Leila da Crefisa, Romeu Zema e Lulinha e acusa blindagem do governo na CPMI do INSS
O relator afirmou que as votações ocorrerão individualmente, sem acordos prévios, o que permitirá identificar quem atua para barrar ou liberar determinadas oitiva
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O deputado alagoano Alfredo Gaspar (União Brasil) concedeu, nesta terça-feira (2) entrevista à CNN Brasil em que comentou o andamento dos trabalhos desde o início da CPMI do INSS. O relator afirmou que a comissão encerrará a primeira fase das investigações na quinta-feira (4) com a votação de uma série de convocações sensíveis, incluindo autoridades federais, dirigentes de bancos, empresários e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema. Segundo Gaspar, a ordem é “limpar a pauta”, levando todos os requerimentos ao crivo dos parlamentares.
Gaspar confirmou que serão votadas as convocações da empresária Leila da Crefisa, do banqueiro Daniel Vorcaro, de oito dirigentes de instituições financeiras, além de Zema e outras autoridades. Disse ainda que há pedido pendente para convocar o filho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que seguirá para discussão na própria comissão.
O relator afirmou que as votações ocorrerão individualmente, sem acordos prévios, o que permitirá identificar quem atua para barrar ou liberar determinadas oitivas. Segundo ele, a população poderá “entender quem está blindando quem”.
Gaspar também foi provocado sobre o pedido de convocação de Lulinha. Ele evitou adiantar detalhes, mas afirmou que “não é desarrazoada” a motivação dos requerentes e que há “informação muito séria” sobre vínculos do filho do presidente com um dos principais investigados do esquema.
O parlamentar acusou o governo federal de trabalhar para blindar aliados e evitar que determinados nomes prestem esclarecimentos. Citou a marqueteira Daniela Fonteles, que, segundo ele, recebeu mais de R$ 8 milhões de recursos desviados do INSS via o operador conhecido como careca do INSS. Ligou a relação ao envolvimento em empresa de maconha medicinal que nunca entrou em operação. Também apontou blindagem sobre Gustavo Gaspar, Edson Claro e Paulo Bordens, além de duas entidades de Sergipe suspeitas de repassar milhões a um secretário partidário. Há pedidos de prisão que, segundo o deputado, ainda não foram votados.
Gaspar declarou que não aceitará “bandido de estimação” e que seu relatório final apontará, com nomes e justificativas, quem atuou politicamente para impedir investigações. Disse que não há ingerência sobre seu texto final, mas reconheceu que as convocações dependem da correlação de forças dentro da CPMI.
Questionado sobre o risco de uso político das convocações, o relator afirmou que cada caso possui elementos objetivos que justificam as oitivas. E reforçou que, no caso de Lulinha, há informações que exigem aprofundamento.
A votação de quinta-feira deve se tornar o ponto de maior tensão da CPMI desde sua instalação, com impacto direto no andamento das investigações e na exposição das articulações políticas em torno dos nomes mais sensíveis.