Ramagem, Zambelli e Bolsonaro: salários cortados, mas gabinetes com 27 funcionários custam R$ 400 mil à Câmara
Deputados condenados ou réus no STF seguem com estrutura paga pelos cofres públicos; perda de mandato por faltas só deve ocorrer em 2026
Publicado em
Os deputados Alexandre Ramagem (PL-RJ), Carla Zambelli (PL-SP) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tiveram seus salários e cotas parlamentares cortados pela Câmara após condenações ou processos no STF, mas os gabinetes dos três seguem ativos e geram um custo mensal de cerca de R$ 400 mil aos cofres públicos. Juntos, eles mantêm 27 funcionários contratados com verba da Casa.
Cada deputado tem direito a R$ 133.170,54 para contratação de até 25 servidores, com salários individuais de até R$ 18.179,88. A manutenção da estrutura é permitida mesmo com a suspensão dos vencimentos pessoais.
Situação de cada um:
- Alexandre Ramagem: Condenado pelo STF a 16 anos e um mês por participação na trama golpista. Recebeu o último salário em setembro (R$ 46 mil) e valores residuais da cota em outubro (R$ 20,8 mil) e novembro (R$ 230).
- Carla Zambelli: Presa na Itália em julho, com prisão decretada pelo STF por falsidade ideológica e invasão ao sistema do CNJ. Último salário pago foi em maio.
- Eduardo Bolsonaro: Tornou-se réu no STF na semana passada, acusado de articular sanções internacionais contra o Brasil. Recebeu salário integral até março, quando se licenciou por 120 dias. Em julho e agosto, recebeu valores simbólicos da cota (R$ 0,03 e R$ 1).
Perda de mandato só em 2026
A perda efetiva do mandato, via expulsão pelo plenário da Câmara, esbarra em divergências entre o Legislativo e o STF sobre o rito. Enquanto isso, a perda automática por faltas — que exige presença em 1/3 das sessões — só deve ocorrer em 2026, seguindo o caso de Chiquinho Brazão, que perdeu o mandato por ausências em abril.
A situação expõe uma brecha no regimento que mantém estruturas custosas ativas mesmo quando os titulares estão condenados, presos ou respondendo a processos graves no Supremo.