Laudo psiquiátrico decidirá futuro de Adélio Bispo, autor da facada em Bolsonaro
Preso desde 2018 e declarado inimputável, ele passa por nova perícia para avaliar risco e possível liberdade
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Um novo exame psiquiátrico está sendo realizado para definir o destino de Adélio Bispo de Oliveira, autor da facada no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante evento de campanha em 2018. Preso desde então e declarado inimputável por problemas mentais, Adélio agora tem sua possível liberdade condicionada ao laudo de um perito oficial que o avaliou no Presídio Federal de Campo Grande (MS).
O laudo, que não tem prazo definido para conclusão, deve responder a três questões centrais determinadas pela Justiça:
- Se ele ainda possui um transtorno mental que justifique a manutenção da medida de segurança;
- Se sua condição psíquica atual representa risco para si ou para terceiros;
- Em caso positivo, em quanto tempo deve ser reavaliado.
Agentes penitenciários relatam que a saúde mental de Adélio se deteriorou ao longo dos anos de encarceramento. Ele ocupa uma cela individual de aproximadamente seis metros quadrados, não lê livros e não mantém conversas com outros presos. Segundo relatos, ele sequer tem conhecimento de fatos externos, como a condenação de Bolsonaro pelo STF em setembro.
Apesar do quadro estável clinicamente, a percepção entre servidores é de que a chance de soltura é remota. O entendimento predominante é que os magistrados tenderão a priorizar a preservação da ordem pública, mantendo-o recluso.
Adélio tem sua permanência no sistema prisional garantida até 2038, quando completará 60 anos – idade máxima prevista em decisão judicial para sua custódia. Não responde a ação penal por ter sido considerado inimputável, mas segue preso sob medida de segurança.
A Polícia Federal, em duas investigações distintas, concluiu que ele agiu sozinho no atentado, afastando teorias de conspiração. Apesar de ser considerado de alta periculosidade, não há expectativa de transferência, pois a unidade de Campo Grande é a mais preparada do sistema federal para lidar com detentos com transtornos mentais – ainda que não ideal.