31 de julho de 2025

Laudo psiquiátrico decidirá futuro de Adélio Bispo, autor da facada em Bolsonaro

Preso desde 2018 e declarado inimputável, ele passa por nova perícia para avaliar risco e possível liberdade

Por Redação
Publicado em
Adélio Bispo (esq.) deve ficar preso até 2038 pela facada em Bolsonaro (dir.) - Foto: Reprodução

Um novo exame psiquiátrico está sendo realizado para definir o destino de Adélio Bispo de Oliveira, autor da facada no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante evento de campanha em 2018. Preso desde então e declarado inimputável por problemas mentais, Adélio agora tem sua possível liberdade condicionada ao laudo de um perito oficial que o avaliou no Presídio Federal de Campo Grande (MS).

O laudo, que não tem prazo definido para conclusão, deve responder a três questões centrais determinadas pela Justiça:

  1. Se ele ainda possui um transtorno mental que justifique a manutenção da medida de segurança;
  2. Se sua condição psíquica atual representa risco para si ou para terceiros;
  3. Em caso positivo, em quanto tempo deve ser reavaliado.

Agentes penitenciários relatam que a saúde mental de Adélio se deteriorou ao longo dos anos de encarceramento. Ele ocupa uma cela individual de aproximadamente seis metros quadrados, não lê livros e não mantém conversas com outros presos. Segundo relatos, ele sequer tem conhecimento de fatos externos, como a condenação de Bolsonaro pelo STF em setembro.

Apesar do quadro estável clinicamente, a percepção entre servidores é de que a chance de soltura é remota. O entendimento predominante é que os magistrados tenderão a priorizar a preservação da ordem pública, mantendo-o recluso.

Adélio tem sua permanência no sistema prisional garantida até 2038, quando completará 60 anos – idade máxima prevista em decisão judicial para sua custódia. Não responde a ação penal por ter sido considerado inimputável, mas segue preso sob medida de segurança.

Polícia Federal, em duas investigações distintas, concluiu que ele agiu sozinho no atentado, afastando teorias de conspiração. Apesar de ser considerado de alta periculosidade, não há expectativa de transferência, pois a unidade de Campo Grande é a mais preparada do sistema federal para lidar com detentos com transtornos mentais – ainda que não ideal.