31 de julho de 2025
TRAGÉDIA EM DUAS RODAS

Ipea revela que acidentes com motos matam um jovem de 20 a 29 anos a cada 3 vítimas no Brasil

Estudo alerta para epidemia de mortes e internações, com gastos do SUS superando R$ 270 milhões em 2024

Por Redação
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Estudo "Mortalidade e morbidade das motocicletas" fou publicado esta semana pelo IPEA. - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Um retrato alarmante da violência no trânsito brasileiro foi divulgado esta semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O estudo "Mortalidade e morbidade das motocicletas" revela que os acidentes com motos têm rosto, idade e classe social definidos: praticamente um terço (35%) de todas as vítimas fatais e de internações têm entre 20 e 29 anos, um percentual desproporcional à presença dessa faixa etária na população.

Os números são estarrecedores. Entre 1996 e 2023, as mortes saltaram de 792 para 13.521 por ano, um aumento de 15 vezes. No mesmo período, a frota nacional de motos explodiu de 2,7 milhões para 34 milhões de veículos. As internações no Sistema Único de Saúde (SUS) seguiram o mesmo ritmo, crescendo 11 vezes entre 1998 e 2024, chegando a mais de 165 mil casos no ano passado.

A pesquisa traça um perfil claro da maioria das vítimas: homens, jovens, pardos e com baixa ou média escolaridade, indicando pertencerem a estratos sociais de baixa renda. Cerca de 90% das vítimas têm no máximo o ensino médio completo.

“Muitos deles, com a escolaridade relativamente baixa para mercados de trabalho mais atraentes financeiramente, acabam se tornando trabalhadores de aplicativos de motocicletas, o que os deixa mais expostos aos sinistros de trânsito”, aponta a nota técnica do Ipea. O estudo é publicado em um momento crucial: a cidade de São Paulo está às vésperas do início do serviço de mototáxi (motoapp), anunciado pela Uber e 99 para 11 de dezembro.

O impacto econômico é colossal. Em 2024, os gastos do SUS com internações por acidentes de moto atingiram R$ 273 milhões (valores deflacionados), contra R$ 41 milhões em 1998 – uma tendência de “aumento persistente”, segundo o Ipea. As vítimas de moto representaram 60% de todas as internações por acidentes de transporte no período, mesmo com uma frota quase três vezes menor que a de automóveis.

A pesquisa serve como um alerta urgente para gestores públicos, especialmente com a expansão de serviços baseados em motocicletas. A discussão sobre regulamentação, treinamento, equipamentos de segurança e infraestrutura viária precisa ser intensificada para frear essa epidemia que ceifa vidas jovens e sobrecarrega o sistema de saúde.